MOTHERFISH Resenha do CD “LIFE CAN BE A PRETTY SCARY THING”

Conheci o guitarrista Túlio Fernandes quando tocava no FLORES PARA ALICE por ocasião de um show na Griffo´s no alto do Setor Marista , no início dos anos 90 ,quando ainda tocava n a PRIMEIRA PEDRA  juntamente com Juarez Petrillo e Corey, hoje na LÍNGUA SOLTA,foi neste mesmo local,uns dez anos depois e já com outro nome,que o MUDHONEY de Seattle tocou pela primeira vez em Goiânia. Depois me lembro vagamente de associar seu nome ao MOTHERFISH. Uma banda, que sem dúvida, tem se destacado no cenário do Rock Alternativo.

Túlio Fernandes também teve passagens pelos SETE CLONES e ainda foi responsável pelas 6 cordas  dos MECHANICS que juntamente com o MQN estariam no topo do ranking da Monstro Discos, um selo e produtora de eventos que revolucionou o circuito de shows em Goiânia,vide Goiânia Noise e Bananada, que assim passou a ser incluída no mapa do cenário  nacional. Antes era conhecida como “Boiânia” em referência à música sertaneja  e pela economia  basicamente agrária do estado de Goiás.

Entretanto, alguns exageraram a dose ao querer transformar Gyn City na Seattle brasileira. Cabe lembrar que esta cidade norte americana, capital do estado de Washington ,perto do frio do  Alaska, e fazendo fronteira com o Canadá e que, também, foi berço do movimento grunge de Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e do já citado MUDHONEY. Além de ser a cidade em que nasceu Jimi Hendrix. Ou seja, não existem parâmetros sérios para fazer esta comparação. Mas não deixa de ser um bom marketing.

Túlio Fernandes e o Motherfish no palco

Tendo passado por várias formações,o MOTHERFISH, sempre teve em Túlio Fernandes seu mentor intelectual e coração da banda assim como Robert Smith é para o THE CURE. O CD “Life Can Be A Pretty Scary Thing” foi idealizado como se fosse um filme imaginário cheio de referências da cultura pop para ser destilado pelos ouvintes.

O disco é todo cantado em inglês. Aliás uma forte característica das bandas locais que costumam lançar seus álbuns pela gravadora Monstro Discos que investe em grupos que utilizam o idioma bretão como língua oficial. Mas isso não é novidade alguma. Bandas da Alemanha, Suécia, Holanda ,Espanha e de outros países ,como a Argentina por exemplo,
utilizam deste recurso.

No caso do MOTHERFISH este recurso estilístico caiu como se fosse uma luva. A pronúncia, a voz, o conteúdo das letras se tornam um atrativo. Então vamos abordar as músicas deste álbum conceitual. “R U Fritz Lang?” é o título da canção que abre o disco e que brinca com peculiaridades da língua anglo saxônica. Afinal, “Are” vira “R” e “You” passa a ser grafado com “U”. Mas só alguém que convive em um mundo cosmopolita poderia ter essa sacada. Aliás, algo comum em Marieta ,um reduto de conterrâneos do guitarrista em Atlanta, na Georgia.  O pessoal de Governador Valadares de Minas também é forte no sul da América que fala inglês.

Fritz Lang, o cineasta expressionista de "Metropolis"

Fritz Lang é um ícone cultural do expressionismo. Seu nome assina a direção de “METROPOLIS, um filme clássico da Ficção Científica realizado em 1926. O austríaco, que estudou arquitetura em Berlin, naturalizou-se americano antes da II Guerra Mundial. Também assinou outros clássicos, do cinema mudo, como “Dr.Mabuse” e “M, O Vampiro de Dusseldorf”. Além de influenciar o MOTHERFISH, Fritz Lang também serviu de fonte de inspiração para outros renomados cineastas como Luis Buñuel, Orson Weles e o “mestre do suspense” Alfred Hitchcock .

Foi então que lembrei que o letrista, vocalista, guitarrista e líder do MOTHERFISH havia comentado que o disco tinha como conceito um filme imaginário. A canção n° 8, “Criminal” segue a receita de Tarantino. Provavelmente ao escutar os primeiros acordes você se lembrará de “Pulp Fiction”.

Jack Kerouac também é citado pelo MOTHERFISH

Já “Kerouac Days” presta homenagem ao escritor mais famoso da geração beatnik. Isto porque classificaríamos Allen Ginsberg como poeta.  Jack Kerouac é o autor de “On The Road” que no Brasil virou “Pé Na Estrada” e será levado para o cinema pelas mãos do cineasta Walter Salles.

Enfim, estas foram algumas leituras que fiz da audição do disco. Musicalmente falando, posso afirmar que, a banda mantém sua coerência ao apostar na sonoridade “Indie”.  Arrisco dizer algo de BAUHAUS, DINOSSAUR JR  e um pouco de The SMITHS  pode ser sentido como influências da banda.Se você gosta de algum dos nomes citados, ao longo deste texto, pode apostar, 10 por 1, que vai gostar muito de “LIFE CAN BE A PRETTY SCARY THING” do MOTHERFISH lançado pela Monstro Discos.

Por Carlos Pompeu

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