Cibercultura#3

Hackers (ou seriam crackers?) invadiram meu computador na noite passada. Isto aconteceu enquanto passeava pelo mundo de Morfeus.

Na mitologia romana é o deus do sono e dos sonhos. Amanheceu e então percebi que meu word havia sido deletado. Esta é a historinha que vou contar.

Mas não foi isso que aconteceu. Alguém da minha rede de contatos me repassou um vírus que acabou sendo reenviado para todos os endereços da minha caixa de mensagens. Moral da história: atualize sempre seu antivírus. Enfim, vamos tratar do que realmente nos interessa.

A cibercultura é nociva. Acho que pode ser. Ou não. Mas a replicação de suas tendências é algo espantoso. E nós já estamos inseridos na essência do seu contexto. Não é mais, como dizer , “já foi “? Hein? Como assim? Não dá mais tempo para produzir frases que terminem com um ponto de interrogação. É “já era!”Seguidos de uma sequência de exclamações!!!

É assim, simples, rápido e certeiro. Bom, mas esta introdução, sobre aspectos rotineiros da cibercultura, só serviu como pretexto para falarmos do que havia captado minha sintonia no instante anterior. O vírus foi um acidente. O assunto que provocou a curiosidade foi o termo que podemos denominar como Pos- Cyberpunk.

Willian Gibson

Como posso explicar isso? Na verdade, é mais um sub-gênero da literatura de ficção-científica. Mas isto não é “Neuromancer”(https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/03/31/resenha-livro-neuromancer-classico-da-literatura-cyberpunk/) do Willian Gibson? Não. Não é não.

Isto seria cyberpunk( https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/03/31/cyberpunk-o-subgenero-literario-da-ficcao-cientifica-sci-fi/) que é um movimento literário que foi formado no início da década de 1980 e surgiu nas páginas de um fanzine chamado “Cheap Truth” de autoria do escritor Bruce Sterling.

Bruce Sterling

Aliás, fiquei sabendo por meio de Fábio Fernandes, do blog pós–estranho (verbeat.org/blogs/posestranho/cyberpunk) que o autor citado está lançando “Tempo Fechado” pela Devir. O livro fala das conseqüências das intervenções humanas sobre o clima. Entretanto, o cientista Jerry Mulcahey e mais um time de rebeldes, hackers e desajustados procuram pelo megatornado F-6. Além disso , rola uma conspiração global. Parece ser bem interessante! Já o pos-cyberpunk seria como uma espécie de up-grade. Uma nova geração de histórias, ou tramas, com um enfoque diferente. Mas isto não é tão simples assim.

Erasmo tocando guitarra

Consta que Erasmo Carlos, o terrível tremendão, certa vez disse que se o simples fosse fácil já teriam inventado outra cantiga, além da tradicional “Parabéns Pra Você” para comemorar a data querida. Pode ser. Ou não. Então toca o barco. Para começo de conversa como devo pronunciar pos cyberpunk?

Com o “c” e o´”y” com som de “sai” ou aportuguesar a palavra e dizer ciberpunk com “si” como quando falo ciberespaço? Mas tem gente que fala cyberspaco,com “sai”, não tem? E o pós deve ser acentuado ou não? Será o início de uma cibergramática? Teremos quanto tempo para nos atualizarmos ou bastaria um download? No frigir dos ovos não vai alterar nada.

A essência da substância é a mesma. A questão é mais complexa. Desperta uma suave tensão subjetiva. Portanto, ambas as “gerações” , o cyberpunk e o pós cyberpunk têm em comum a tecnologia e sua forma de criar uma sociedade em torno de seus avanços e de suas problemáticas. Segundo André Lemos “ as histórias cyberpunks falavam de indivíduos marginalizados em ambientes culturais de alta tecnologia e caos urbano, daí a origem do nome, colocando em sinergia cyber, de máquinas cibernéticas; tecnologia de computadores, meios de comunicação de massa, implantes neurais, etc., e punk da atitude “faça você mesmo” do movimento punk inglês da década de 70 do século passado”.

SWEX PISTOLS, ícone Punk dos anos 70

Assim, podemos analisar que em narrativas como “Neuromancer” e “Matrix”. Um livro e um filme, portanto duas narrativas em suportes ou formatos diferenciados. Mas em ambos, encontraremos, o ponto de vista dos inconformados. Ou seja, este inconformismo faz com que lutem contra o poder estabelecido. Os humanos tentando se rebelar contra o domínio das máquinas. Não há outra alternativa dentro desta perspectiva.

Já neste outro subgênero, o tal do pos –cyberpunk, incluindo as narrativas em todo e qualquer formato ou mídia que possam ser concebidas, temos um outro enfoque. Um ponto de vista diferente. Uma outra possibilidade. Politicamente falando, diria mais conservador. Assim, neste sub-gênero, ninguém está muito afim de ouvir conselhos de oráculos sobre como desafiar o sistema .

Cypher no papel de Judas em Matrix

É mais o ponto de vista de Louis Cypher, aquele personagem, que atua como o Judas ao entregar a turma da pílula vermelha para o agente Smith.

Ou seja, o lado de quem quer ficar na boa com o modus operandi do sistema. Do tipo que segue as orientações das pesquisas de opinião pública. Portanto, de uma certa forma é manipulada pelo monopólio da comunicação concentrada no poder das máquinas.

Niobe em uma das sequências de "Matrix"

Outra características que os diferencia também é o fato de o implante ser mais utilizado no cyberpunk enquanto que no seu subgênero percebe-se uma predominâcia da biotecnologia. Tanto que já se replicou em outro sub-produto do sub-gênero que é o biopunk.  É o lado underground desta relação íntima com a tecnologia.

Neste tipo de ficção, as narrativas são sobre indívíduos que pertencem à uma subcultura que tomam de assalto várias biotecnologias para sua atuação subversiva na sociedade. Trafegam no campo da engenharia genética.

Engenharia Genética

E todo este pacote faz parte do contexto onde, como tantos outros mais, está inserido naquilo que, no século XXI, chamamos de cibercultura que , por sua vez, é um termo de difícil definição devido sua flexibilidade e suas variantes que existem em suas inúmeras possibilidades, pois servem para tratar das culturas das comunidades virtuais …

O Homem do Futuro será um Ciborgue?

… e suas relações de interatividade como também do processo de transformar em ciborgues o corpo humano, assim como toda a sociedade. No idioma bretão o termo utilizado é cyborgitazion.

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1 comentário

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