Propaganda- “O Senhor do Tempo”!

“O Senhor do Tempo”
Carlos Pompeu

Já faz algum tempo, uma década talvez ou um pouco mais, quando ainda atuava como Redator para uma agência de propaganda de Goiânia.

Tudo bonitinho, com carteira assinada, plano de saúde, férias, 13º e todas as regalias de um trabalhador assalariado. Enfim, dando sequência a narrativa, o briefing que estava sobre minha mesa ao lado do computador, lembrando que quando comecei existiam máquinas de escrever, que coisa bucólica, hein?  Contudo, o pessoal do tráfego, sempre apressado , disse que se tratava de uma peça gráfica. Um anúncio de jornal ou de revista, não
lembro mais.

O cliente, no caso, que não vem ao caso, mas ao acaso revelo que se
tratava de uma seguradora que, por sua vez, desejava vender mais
apólices, foi objetivo. Contratou uma agência para criar uma peça
publicitária que pudesse alavancar seus negócios.

Portanto, problemas foram feitos para serem resolvidos  e como Redator cabia a mim oferecer a solução. Isto era um ponto pacífico. Mas sempre há espaço para a dúvida. Afinal, a certeza era e ainda continua sendo uma mera ilusão de que tudo está sobre controle.


O que , de fato, não corresponde a realidade. Em todo caso, fazendo
referência a pressa que costuma frequentar os corredores de uma
agência de propaganda, vale a pena dar ênfase à este questionamento: Será que é preciso mencionar que o serviço seria para estar pronto ontem?


Aliás, isso é bem corriqueiro no mundo publicitário. Coisa que um
redator, literalmente, tira de letra. Inclusive, consta que por causadesta urgência constante, às vezes, os criativos “Under Pressure”,fazendo uma breve alusão à música do Queen com participação especial de David Bowie, acabam atropelando as engrenagens do processo criativo para atender a necessidade da pressa, muitas vezes, fruto da ansiedade de outros profissionais que não são da criação.


Pois bem, quando um Redator se deixa levar por estes clamores acaba produzindo um texto ou uma frase cujo significado será o mesmo de dejetos orgânicos. Todavia, metaforicamente, estaríamos fazendo alusão aquilo que é “descarregado” em um trono instalado em um ambiente azulejado. Também conhecido como banheiro. E no caso específico, após o material estar impresso, não há papel higiênico que dê conta do
recado.

Isto porque, no mundo da propaganda, fazendo uso de um “palavrão” para expressar melhor o sentido da expressão, e não para buscar o efeito chulo da palavra em si, afirmamos categoricamente que “a pressa passa, mas a merda fica”.


Nesta hora ninguém quer assumir a paternidade da criança. Aqueles que tinham  a vontade de fazer a coisa rápida, rapidamente, mudam de opinião, e aquele que se deixou levar pela ansiedade alheia é , por sua vez, arrastado para o ralo por causa da pressão. Ou seja, qual é a moral da história?  Seria algo como, SEJA CRIATIVO,  mantenha o bom senso.

Cabe lembrar que macaco velho não entra em cumbuca. Nunca entendi direito o que existe nas entrelinhas desta expressão, mas em todo caso já a utilizamos. Enfim, tive um insight, uma sinapse. Recorri aos mecanismos ou se preferir a técnica utilizada por um profissional que é pago para oferecer uma solução criativa ao cliente que deseja se comunicar com seu público e que isso possibilte  a venda do  seu produto ou serviço.


Depois de uma breve e rica reflexão, onde em alguns segundos fiz todas estas considerações acima, digitei: “Imprevistos Não Mandam Aviso “. Em seguida, o pessoal do departamento de Arte pegou uma ilustração de algum anuário “image book”, of course, onde um cidadão estilizado, no próximo passo, encontraria ao alcance dos seus pés uma casca de banana.

Na certa teria um tombo.  O  que casaria, em comunhão parcial de bens, com a chamada ou frase de efeito que foi retro mencionada. O cliente , a corretora de seguros, aprovou a peça e a agência publicou o anúncio.  Muito legal.

Mas a partir daí comecei a imaginar uma outra possibilidade. Ou , quem sabe, uma continuação daquele pensamento. Afinal, não são apenas blockbusters (filmes que arrecadam milhões na bilheteria) que têm continuação, não é mesmo?  No entanto, uma nova sinapse me ocorreu. Por que o imprevisto não manda aviso?


Ora, raciocinei, porque trata-se do inusitado. Ou seja, são coisas
inevitáveis que simplesmente acontecem mais cedo ou bem tarde, mas que ocorrem. Como a justiça que tarda mas não falha. Inclusive, existe uma passagem bíblica, Eclesiaste 9:11 que diz “ O tempo e o imprevisto sobrevêm a todos eles”.


Enfim, algo implacável como a própria morte. Isto porque todos os
seres vivos estão fadados  a perecer em algum momento. E todos aqueles que fazem parte deste “jogo” têm a consciência da efemêridade da vida.


Agora , aqueles que já partiram ou que, de fato, morreram não possuem mais  a consciência de nada. Portanto, você que ainda tem consciência de seus atos e, como consequência, também ainda possui a faculdade do livre arbítrio e, por isso mesmo; possui a perspectiva de fazer a sua própria escolha. Então, sendo assim,  aproveite, faça o certo e o bem não importa a quem, enquanto ainda há tempo. Tudo de Bom !!!

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