Cibercultura#11

No mundo da Internet chamamos de hacker aqueles que decifram códigos e senhas para terem acesso a dados alheios. Eles atuam sem uma autorização expressa da pessoa que tem seus arquivos violados.

Não pedem emprestado e nem falam por favor. Dizem que fazem isso pelo gosto da aventura. Seria como um desafio. Como se fosse um esporte. Não visam vantagem financeira. Pois não se consideram ladrões.

Aqueles hackers que ganham grana com essa informações são como ladrões e são conhecidos como crackers. Kevin Mitnick era um hacker.

Kevin Mitnick

Hoje, viaja o mundo divulgando seu livro “A Arte de Enganar” em parceria com Willian L.Simon que já escreveu sobre Steve Jobs, da Apple. Além de fazer palestras e prestar consultorias em segurança digital. Atualmente é um homem de negócios bem sucedido. Inclusive, recentemente participou da Campus Party 2010 que aconteceu em São Paulo entre 25 e 31 de janeiro. Nem sempre foi assim.

Jonathan Littman

Os seus tempos de hacker foram retratados por Jonathan Littman em “O Jogo do Fugitivo – Em Linha direta com Kevin Mitnick”, traduzido por Haroldo Netto e publicado pela Rocco em 1996. Mitnick já tinha um histórico que já o havia levada para atrás das grades.

O Livro só é encontrado em sebos

Isto foi em 1988. Então passou a ser temido por arruinar mercados financeiros e de lançar mísseis com um único telefonema. Mas isto é folclore. Criou-se um mito sobre seu nome. Entra na história o enigmático Shimomura.

Por onde anda Shimo?

Por uma questão de honra. Isto porque Kevin teria atacado o computador de Shimo. Entretanto, isto não ocorreu. O cientista da computação facilitou a invasão. Preparou uma armadilha. Mas o invasor não era Kevin. Inclusive, nunca chegou a se identificado.
A leitura do livro sugere que houve oportunismo por parte da dupla que acabou se beneficiando com a prisão do hacker. Interessante é saber que o caçador de recompensas, Todd Young, havia monitorado Mitnick em Seattle e na ocasião as autoridades não fizeram absolutamente nada. O texto de Littman é empolgante. Revela outros personagens como o hacker Agente Steal. Um sujeito que tinha a aparência de um vocalista de uma banda metal farofa.

Agent Steal foi encontrado morto em seu ap. em março/2010

Além disso, era informante do FBI que pagava todas as suas contas, além de fazer vista grossas para suas fraudes com cartão de crédito, para caguetar outros hackers. Isto incluía gastos com boates e garotas de vida fácil como Susie Thunder.


Fascinante também é saber que os maiores segredos que Kevin desvendou foi por meio de engenharia social. Ele fazia uma ligação e se passava por um funcionário que pedia informações sobre detalhes técnicos que seriam confidenciais. Assim, por meio da lábia, alcançava seus objetivos. O autor de “O Jogo do Fugitivo” é um jornalista especializado em investigações. A obra foi concebida em cima de cinquenta horas de entrevistas telefônicas com Mitnick.


Nesta época, o hacker havia violado sua condicional e por isso era o fugitivo mencionado no título. Inclusive, na época, havia sido contratado pelo seu editor para escrever um livro sobre outro Kevin que também era hacker. Mas o livro sobre Poulsen ficou para depois. O título seria “Watchman” e foi lançado no Brasil pela Editora Record.


A primeira vez que ouvi falar do assunto, em 1995, quando a Internet ainda engatinhava no Brasil, tive a acesso a versão caluniosa e difamatória que até hoje encontra ressonância na mídia e na rede, onde muitos repetem que um japonês bonzinho e inteligente teria levado a melhor sobre o bandido mais procurado do ciberespaço. Era uma espécie de copia e recopia a informação sem checar a fonte.

Esta era a história que o jornalista John Markoff do New York Times vendeu. Literalmente. Devido ao sensacionalismo, o assunto foi para a primeira página e despertou o interesse da mídia.


Os dois lançaram o livro “Contra Ataque”, lançado pela Companhia das Letras em 1996. Venderam os direitos para fazerem um filme. Um desastre. Tanto que , lançado em 2000, teve 3 títulos. Primeiro foi “Takedown”, depois virou “Trackdown” e por último “Hackers 2 – Operação Trackdown”.

Angelina Jolie

Não tinha nada a ver com o filme “Hackers” com Angelina Jolie, apesar de insinuar ser uma continuação. Pode ser visto em partes no youtube ou ser baixado. Consta que antes de venderem os direitos do filme para a Miramax o arrogante Shimo teria conversado com um dos prováveis diretores. Após a ligação teria perguntado : Quem é Oliver Stone?

O cineasta Oliver Stone

O que soa estranho nesta história é que hoje podemos pagar uma pequena fortuna para assistir uma palestra de Kevin Mitnick que ganhou a liberdade em 21 de janeiro de 2000. Na ocasião fez um discurso onde acusa Markoff de violação da ética jornalística por ter feito 60 afirmações infundadas em seu artigo de 4 de julho de 1994.

Depois entrou em cena o seu amigo e até então um ilustre desconhecido da mídia. Mas, passado alguns anos, nunca mais ouvimos falar da dupla Shimo/Markoff que até hoje estão presos à esta “ficção” que venderam para o mundo. Entretanto, esta versão é desmontada com a leitura do livro de Jonathan Littma

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: