Cibercultura # 13

A exclusão digital é uma realidade entre nós. A tendência, em um futuro próximo, é que o abismo social, que separa as pessoas em classes,  aumente ainda mais. Não é preciso uma bola de cristal para observarmos um cenário nebuloso e caótico.

Podemos afirmar que já estamos vivenciando uma sociedade tecnologizada. O computador e a internet já se tornaram, faz tempo, nossos bons companheiros do dia a dia. Agora podemos conectar nossa solidão em rede. Isso não é exclusividade de nenhuma tribo ou comunidade virtual. Trata-se de um fenômeno global. Um ponto sem retorno. Ou alguém ainda acredita que resgataremos a máquina de escrever? Provavelmente não.

Entretanto, não é racional endeusar a máquina eletrônica e sua magia chamada de tecnologia. Como se esta fosse uma bússola para nossa existência humana. Também não precisamos tratá-la de modo pejorativo. Não é isso. Nem uma coisa nem outra. Temos que agir com tolerância e com a prudência. Dependendo do ponto de vista sempre haverá um lado escuro da lua.

O termo tecnológico serve para referirmos às comunicações mediadas pelo computador. Evidentemente, estamos falando da rede. Pois bem, do lado de dentro, do ciberespaço, temos problemas como crimes virtuais praticados pelos crackers, os famigerados piratas digitais.

Mas é do lado de fora que se encontra a problemática que pretendemos debater. Portanto, é importante tratarmos da exclusão digital. Grande parte da nossa população encontra-se no rol dos excluídos. Isto demonstra que o Brasil, apesar da ordem e do progresso, ainda continua sendo um país pobre. Mas driblamos o carma da pobreza com uma peculiar alegria de viver. Talvez isso seja a forma criativa de lidarmos com nossas mazelas.


Cabe ressaltar que um dito popular afirma que tudo em excesso faz mal. Talvez tenhamos exagerado na dose. Parece que assim entorpecemos nossos sentidos em relação à justiça social. Mas, não se preocupe, sorria, estamos imunizados. Vamos fazer a nossa fezinha no jogo de azar. Será que temos mesmo sorte? Até podemos ganhar na loteria. Todos os nossos problemas financeiros estariam resolvidos. Talvez, por uma ótica fria e pragmática, podemos perceber um aspecto mesquinho nesta forma simplista de ver a vida. É o cúmulo do individualismo que encontra nos tempos atuais um terreno fértil para sua disseminação.

A ilusão de ficar rico ou menos pobre do que os outros parece anular a vontade por uma busca de uma melhor qualidade de vida para toda a comunidade. Cabe lembrar que não estamos levantando uma bandeira, mas apenas fazendo um exercício de especulação. Entretanto, é curioso observar, que o egoísmo sedimentado pelo consumismo é incentivado em detrimento do amor ao próximo.

 

Grande Otelo interpretando "Macunaíma"

 

O espírito de Macunaíma está cada vez mais impregnado em cada um de nós. Não é que nos vendemos por espelhinhos, se bem que esta metáfora ainda se encaixa no contexto dos nossos dias. Mas queremos viabilizar que já nos acostumamos com os mendigos pelos cantos de nossas metrópoles. Já nos acomodamos com a corrupção crônica dos políticos a ponto de a absorvemos, em escala menor, em nossa rotina. Também não nos preocupamos mais com a falta de educação.

 

Renato Russo, o Poeta da Colina

 

Será que haveria algum reflexo nos índices de violência?  Enfim, em um cenário com este quem é que vai se preocupar com a cultura? Ninguém reage. A apatia é geral. Quem cala consente, quem fala é “silenciado” e quem age acaba sendo crucificado. “Esse é o nosso mundo, de assassinos, covardes e ladrões”, como diria o saudoso poeta da colina. As mazelas sociais tiram sarro da nossa cara. Aparentemente ninguém se incomoda mais com isso. A estética da pobreza parece que está na moda.

Você que está acompanhando essa linha de raciocínio é parte de uma elite. Isto porque você tem acesso ao que a maior parte da população não tem .Um retrato desta realidade pode ser vista no youtube em um documentário chamado “Manipulação de Massa”, de Guilherme Reis, onde aparece uma moradora de rua e afirma que sente inveja ao ver televisão. É triste ouvir “a gente com fome e vendo aquela gente comendo”. E ainda divide conosco seu questionamento: “Não dá inveja?”

 

Laymert Garcia dos Santos

 

Segundo o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, autor de “Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio técnico da informação digital e genética” pela Editora 34, a tecnologia é um fetiche. Talvez seja essa mesmo a nossa realidade. Por isso, é interessante a discussão sobre o pós humano. Como encaixar esta discussão na realidade social brasileira? A idéia do homem pós biológico, proposta pelos transtropianos, está distante anos luz da nossa sociedade que ainda carece de um respeito maior pelo seu semelhante. Mas não podemos empurrar esta discussão para embaixo do tapete. Fingir que não é conosco. Não somos como a avestruz.


A maioria da população vive abaixo do que podemos considerar como dignidade humana. Mas esta multidão de desesperados é ignorada. Mas quem se importa com isso se podemos comprar uma TV de cristal líquido de última geração? Você não pode pagar? Não tem problema. Faça um crediário. Compre sua felicidade em suaves prestações mensais. Basta consumir. Vivemos em tempos em que não é preciso mais pensar para existir. Logo, teremos a inteligência artificial para nos orientar melhor. Enfim, apesar dos avanços tecnológicos estamos vivendo em um mundo cada vez mais distópico.

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1 comentário

  1. Huging Dark

    O que era uma utopia a alguns anos, agora e a realidade.
    ironico nao?

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