Teatro – “O Circo dos Amores Impossíveis”

O Crítico Teatral


Tive o privilégio (a convite dos organizadores do evento) de participar, como parte do público – detalhe a casa estava cheia – do espetáculo teatral “O Circo dos Amores Impossíveis”, por ocasião do Goânia em Cena 2010, Festival Internacional de Artes Cênicas, em sua 9ª edição, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a UFG, que ocorreu no Centro Cultural Martim Cererê com apoio da Agepel.

A peça, em questão, foi composta ao longo de 8 anos pelo poeta e escritor Itamar Pires Ribeiro, responsável pelo texto, e por Débora di Sá, que assina a parte musical do espetáculo. Aliás, belas canções que servem para contar a história de amor entre uma bailarina e um atirador de facas em um circo, com direito à mulher barbada, um elefante chamado Godofredo, o apresentador e um hilário investigador que tenta decifrar à tragicomédia que está sendo encenada no palco.

Resumindo, podemos dizer que se trata de um musical no melhor estilo de “Os Saltimbancos”, com malabarismos circenses e tudo mais, de Chico Buarque de Holanda. Por algum motivo ainda não identificado, me veio à memória “O Fantasma da Ópera”, um romance francês escrito por Gaston Leroux, publicado pela primeira vez em 1910, que sem dúvida atingiu seu auge quando foi adaptada para a Broadway por Andrew Loyd Weber, em 1986, e que ainda hoje está em cartaz.

Isto porque o mundo lúdico a que somos apresentados logo nos envolve e nos leva para o coração da trama que, em um primeiro momento, parece ter um tom policialesco. O apresentador contrata um atrapalhado investigador particular, responsável por boa parte dos risos da platéia, para resolver a história de amor entre a bailarina e o atirador de facas que acaba em uma tragédia. Aparentemente passional. A direção, muita segura por sinal, é assinada por Lua Barreto que soube dosar muito bem a trama à música que está presente em todo o espetáculo.

 

Os atores (Débora di Sá, Reginaldo Mesquita, Diogo Aguiar, Marcelo di Castro, Juliana Barbosa e Heitor di Sá) não interpretam apenas – ofício que fazem muito bem aliás, mas também tocam instrumentos musicais como guitarra, bateria, percussão e teclados, e também cantam. Revelando-se grandes cantores. Tudo isso embalado com belos figurinos e complementados pela empolgante coreografia assinada por Luciana Caetano.

 

No resumo da ópera, entre risos e aplausos, com a emoção à flor da pele e com a alma, literalmente, lavada, me flagrei, como toda platéia, ovacionando de pé o espetáculo que os atores nos presenteavam ao interpretá-lo para um público que se encantou durante toda a apresentação. Agora, só me resta socializar estas minhas observações com nossos leitores.

Tudo de bom!

Texto originalmente publicado na Revista HOJE http://www.revistahoje.com.br/primeiro_plano.asp?id=108&titulo=Papo%20do%20Pomps&coluna=CulturaMix&id_categoria=Colunas&edicao=EDI%C3%87%C3%83O_52

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4 Comentários

  1. L25 R1A2

    Perdi a conta dos comentários que teci sobre esse post, mentalmente, desde a sua publicação. Depois de peneirá-los, a surpresa: não restou quase nada que eu pudesse compartilhar. Nenhum insight (isto se deve à minha falta de vivência em teatro). Mas, enquanto especulava, veio à tona o prognóstico de um amigo: “Você precisa começar a ouvir ópera. Se você começar, nunca mais vai parar!” Talvez isto se aplique ao teatro. Então vamos começar a vivenciar o teatro. É isso: começar pelo teatro, onde tudo começou (literatura, música e artes plásticas).

    Em Off: Soube que você (Boris) morou em Natal, na praia de Ponta Negra. Não dá para acreditar!!! pois é para lá que eu estou de mudança (há pelo menos 4 anos).

    • Em off. Se me contratarem, outra vez,voltaria com imenso prazer para a paradisíaca Ponta Negra. Mas como dizia um certo amigo, distante, cuidado com o que desejas, pois é capaz que consiga antes que assimile a ideia.

      • L25 R1A2

        Ponta Negra: “blanca, enorme y vacía”

        “Vacilé entre correr el riesgo de nadar hacia la otra (balsa) o permanecer seguro, agarrado a la caja. Pero antes de que hubiera tenido tiempo de tomar una determinación, me encontré nadando hacia la última balsa visible, cada vez más lejana. … Por un instante dejé de ver la balsa, pero procuré no perder la dirección. Bruscamente, un golpe de la ola la puso al lado mío, blanca, enorme y vacía.” (Relato de un náufrago – Gabriel García Márquez)

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