Ficção – “NYX – A MAGIA DA NOITE” Capítulo VII – “Noite Escura”

Noite Escura

A noite escura ocultava a violência que explodia pelas ruas da cidade. Os ataques haviam aumentado de forma alarmante. A população estava assustada. Relatos de ataques de lobisomens circularam e aumentaram ainda mais o pânico. Que, por sua vez,  se alastrava de forma velada. Talvez fosse apenas um serial killer que executasse suas vítimas com requintes de crueldade.

Os cadáveres encontrados revelavam terem sido mutilados. Muito sangue ao redor. Boatos surgiram e envenenaram ainda mais a crença popular. O pavor tornará-se um aperitivo.

A situação beirava o caos. As forças ocultas estavam pavimentando seu caminho para instalar, definitivamente, o mal sobre a Terra. Alguém, possivelmente, poderia pensar desta maneira. Muitos já associavam as coisas. A mídia dissimulava. Sinalizava outra direção.

Entretanto, fora da mídia, alguma coisa estava acontecendo. De uma certa forma o Limbo estava envolvido com alguns destes acontecimentos sinistros.

Assim, Dante Virgílio investigava o desaparecimento de Bernardo Belisário. A última notícia sua foi que esteve no casamento de um casal de amigos.

Curiosamente, a igreja teria sido assaltada na noite anterior. Os noivos, Bruno e Alice, encontraram-no desacordado após a cerimônia. Mas que estavam apressados e com medo de perder o voo.

Conversamos um pouco. Ou pelo menos houve uma tentativa de que isso pudesse ter acontecido. Enfim, Alice foi muito prestativa e não parou de sorrir um minuto sequer.

Apesar da sua simpatia penso que não me ajudou muito para que elucidasse o mistério. Bruno havia sido mais evasivo. Estavam mais preocupados em falar sobre a lua de mel no litoral.

Não demonstraram nenhuma preocupação de ordem financeira. Em sua busca, Dante Virgílio, encontrou uma repórter que estava colhendo dados para escrever uma matéria que abordava o surto de violência e suas implicações.

Ele, Dante Virgílio, tomou conhecimento por meio de um artigo postado na internet. Havia um endereço eletrônico no fim da página da web. Enviou um e-mail para entrar em contato.

Ela, Beatriz Boulevard, respondeu e se mostrou preocupada com o rumo das coisas. Disse que estava confusa e precisava conversar com alguém sobre o que chamou de coisa esquisita.

Beatriz também mencionou a palavra estranho. Dante Virgílio, o investigador, ficou intrigado. Isto porque reforçou a ideia de que alguma coisa fora do comum estaria acontecendo no Limbo.

Por isso, resolveu conferir com seus próprios olhos. Aliás, naquela altura já estava lá, no ninho da cobra, quando Blanche, a ghost writer, chegou. Ela também estava intrigada com a poça de sangue que havia visto no chão após esbarrar com um desconhecido.

O nome deste era Melquíades. Mas, Blanche desconhecia tal informação. Um açougueiro. Sim, Melquíades era um açougueiro. Talvez isto explicasse o sangue? Talvez. Só que Blanche não sabia, definitivamente, nada sobre isso. Ainda estava envolvida pelas trevas da ignorância.

Blanche também não tinha o conhecimento que Melquíades, o açougueiro, era  um frequentador assíduo do Limbo. Melquíades, por sua vez, com sua aparência nada convencional, diga se de passagem,  gostava de ir lá para relaxar. Para se acalmar.

Quando ficava muito agitado buscava alívio naquele inferninho. A agitação era por causa de uma atividade que realizava ocultado pela escuridão da noite. Como diria o ilustre bardo inglês, Willian Shakespeare, existem mais mistérios entre o céu e a terra do que supostas dúvidas que trafegavam pelo pensamento de Blanche Richards.

Talvez, no fundo de sua alma, ela até suspeitasse. Intuição feminina? Sim, pode ser. Mas a verdade, dolorida, era que Melquíades estava viciado em sangue.

No entanto, caro leitor(a), ele não era um vampiro. Não pertencia à elite dos sugadores de sangue. Cabe lembrar que Karl Marx havia denunciado estes seres estranhos na introdução do manifesto comunista. Muitos pensaram tratar de uma mera metáfora do filósofo.

Enfim, mas voltando ao caso específico do açougueiro chamado Melquíades e que afirmamos, anteriormente que estaria viciado em sangue. Pois bem, ninguém sabia desta informação, mas quem avisa amigo é, já dizia um velho ditado popular.

Então, respire fundo, pois não sou sou de causar suspense à tóa, tão pouco esnobaria de vossa inteligência, caro leitor(a). Por isso, como se fosse amaldiçoado pela mão pesada dos justos, confesso que não consigo mais ocultar que Melquíades era , de fato, um monstruoso asassino em série.

Lucíolo, o barman, sabia de muita coisa que acontecia ali dentro. Sim, uma pessoa com várias cartas escondidas entre as mangas. Apesar da aparência um tanto inocente. Mas, devo dizer que esta afirmação não é uma unanimidade.

Atrás do balcão sempre ouvia uma história ou outra quando não ficava sabendo das coisas ao conversar com alguém a quem tinha servido um drink.

Ele, Lucíolo, o dissimulado,  não esperava , pelo menos não naquela noite, ver novamente aquele sujeito que havia saído com a Veruska. No caso, o tal do Garoto da Meia Noite. Só que, Lucíolo,  também não sabia que o garoto que se dizia da meia noite era, na verdade, um paranormal.

Aliás, nem o próprio tinha conhecimento de sua paranormalidade. Inclusive, ele mesmo, ainda não estava seguro com relação à esta  paranormalidade. No entanto, sua vida havia sido salva por causa deste detalhe.

Só ficou sabendo ou passou a ter suspeita em relação a isso há pouco tempo. Foi durante um momento íntimo. Tocava com sua mão no seu orgão genital.

Como um cara que se descobre paranormal batendo uma punheta pode ser levado a sério?

A falta de uma resposta plausível para este questionamento o deixava ainda mais inseguro. Ele, o garoto, foi se excitando conforme se masturbava e logo ejaculou.

Um líquido foi expelido. Mas não era urina.

  _ “Que pôrra é essa?”

 Aquilo ficou na sua cabeça. Tempos depois passou a usar somente roupas pretas. Começou a se interessar pela estética gótica. Buscou ler poemas com tais características e , também, passou ouvir o que se denominou chamar de Rock Gótico.

Em seguida, adotou o nome de Garoto da Meia Noite, e passou a frequentar o Limbo.

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