Ficção – “NYX – A MAGIA DA NOITE” Segunda Parte “O SEGREDO DO ALQUIMISTA” (Capítulo X – “Rituais de Sangue”)

Rituais de Sangue

Lucíolo atendeu alguém que se passava por Augustus Darvell, o vampiro
idealizado por lord Byron. Já lord Ruthven, saído diretamente das
páginas de Polidori, pedia que enchessem sua taça de vinho. Beatriz
Boulevard não atendia mais as chamadas. As ligações insistiam em cair
na caixa de mensagens.

O investigador Dante Virgílio ficou assustado. Não queria acreditar em
algo como uma seita de vampiros. Talvez influenciado pela conversa com
a repórter passou a ter medo.

Também não gostaria de admitir tal
sentimento. Então, passou a suspeitar que pudesse estar em um covil .
Entre as serpentes. Ainda não havia nenhum indício. Mas sua imaginação
passou a sinalizar esta direção. Sentiu falta do seu ceticismo. E se o
limbo estivesse mesmo abarrotado de vampiros?

Em algum lugar próximo ao palco Blanche Richards sentia compaixão ao
ouvir o relato trágico de Udolfo. Ele era filho de Devandra, a menina
que havia sido exorcizada pelo Padre Doveque. O mesmo que o
amaldiçoou.

Devandra, dez anos após o exorcismo, se casou com
Vladislaus, um magnata das comunicações. Tanto Blanche que não nutria
muita simpatia pelo padre quanto o mesmo indiretamente trabalhavam nas
suas empresas.

Apesar de Devandra ser casada com o arquiduque
Vladislaus, Udolfo não era seu filho. Por isso viveu afastado de sua
mãe. Devido a isso teve uma relação conturbada com a mesma que de uma
certa forma influenciou no seu fim trágico.

Em meio a festa que acontecia no Limbo. Sendo que , a qualquer
momento, poderia haver uma nova aparição do Noite Macabra no palco do
inferninho. Dante Virgílo já havia perdido seu senso comum. Relendo
uma das mensagens de Beatriz ficou ainda mais assustado.
Emocionalmente desequilibrado. Acabou esbarrando em um sujeito que se
vestia como Mike Phone, o vocalista vampiro.

No entanto, tratava-se do
Garoto da Meia Noite. O menino era inofensivo, mas sua aparência
despertou a atenção de Mike. O vampiro sabia que não apareceria em
fotos, assim como não teria o seu reflexo em um espelho. Eram ossos do
ofício.

Portanto, por esta sua característica, não teria como aparecer em um
videoclipe. O veículo de divulgação de sua banda. Tempos de mídias
eletrônicas. TV, rádio e Internet. Tinha que utilizar estes recursos
para propagar sua mensagem. Observou que o biotipo do garoto se
enquadrava nos seus planos. Ele o representaria no video. O Garoto da
Meia Noite seria o seu dublê.  Agora Mike Phone teria uma imagem.

As lâmias, Lascívia e Vênus, dançavam, ora se abraçando, ora se
beijando, na pista. Enquanto isso , Veruska jogava charme no
concorrido balcão de Lucíolo. Melquíades se aproximou das lâmias com a
intenção, literal, de atacá-las.

Elas trocaram olhares maliciosos e
soltaram uns risinhos cínicos uma para a outra. Além de sentirem o
cheiro de sangue que estava impregnado no açougueiro.

Dante passou tropeçando entre eles. Ainda estava com seu celular e
buscando informações. Abriu uma mensagem que até então ainda não havia
lido. Não vá ao Limbo. Era isso mesmo que estava digitado na pequena
tela do aparelho. Em seguida apareceu uma sequência com três pontos de
interrogação. Então, para seu espanto, surgiu a palavra vampiros e
seguida por três pontos de exclamação. Tentou ser frio e racional.
Entrei em uma enrascada! Foi isso que pensou.

No pior das hipótese ainda poderia pedir por socorro por meio de seu
celular. Tinha crédito o suficiente. Pelo menos isso. Mas iria ligar
para quem? Poderiam achar que se tratava de trote.

Passou pela sua
cabeça ligar para o Padre Doveque. Logo desistiu. Não iria incomodá-lo
naquela hora para falar sobre vampiros. Ainda mais que pensaria que se
tratava de uma brincadeira de mau gosto.

_ Você está querendo insinuar
que Vladislaus é um vampiro?

 

O Padre Doveque não gostava dessas
insinuações. Sabia que conversas desta natureza faziam injustiça À um
homem dedicado a filantropia. Isso talvez fosse por causa da forma de
gerenciar seus negócios. Mas isso era uma consequência do capitalismo
selvagem. definitivamente, não gostava de falar sobre estes assuntos.

Entretanto, existe sempre um fundo de verdade nos boatos. Às vezes
não. Muitas vezes eram mentiras deslavadas. Fruto da desinformação.
Coisa de quem não tem nada melhor a fazer do que tentar desestabilizar
os alicerces de uma sociedade sedimentada em valores e costumes. Uma
sociedade decadente e corrompida que escondia sua sujeira embaixo dos
tapetes. Para esconder o verdadeiro mal. Sendo que neste caso havia
uma certeza.

O boato servia para camuflar a certeza de que o
arquiduque era não apenas um vampiro, mas o velho aristocrata era o
líder do conselho de anciãos da ordem dos vampiros. Cabia a ele, como
a autoridade máxima, comandar os rituais de sague. E foi em um deles
que Vladislaus ordenou que Miguel Dragão invadisse a casa do
alquimista Nicolas Flamel.

Apesar de Miguel Dragão em sua investida ter conquisto o elixir da
longa vida que foi bastante útil para a disseminação do mal, ainda
faltava o mais importante. Vladislaus ainda aguardava poelo
Necrominicon.

Com este livro poderia invocar a presença de Eris para
que implantasse seu reino sobre a Terra. A deusa surgiria juntamente
com a estrela sírius que ocuparia o lugar do sol e a partir de então o
mundo viveria uma eterna escuridão.

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