Ficção – ‘NYX – A MAGIA DA NOITE” Segunda Parte- “O SEGREDO DO ALQUIMISTA” (Capítulo XII) – “Seu Romão, O Lobisomem”)

“Seu Romão, o Lobisomem”

Após a celebração do casamento, Bruno e Alice, encontraram Bernardo Belisáro desacordado.

_ Nossa, Bruno, o que é que o Bernardo faz ali? “Não sei não meu bem.  Que coisa esquisita. Vamos lá ver o que ele tem.

Alice foi ao seu encontro. Bruno veio logo atrás. “Você está bem”?

Ele balançou a cabeça. O noivo comentou que estavam atrasados. Tinham que ser rápidos se não perderiam o voo. Eles se foram.

Minha cabeça girava. Onde é que esta o meu relatório? Nada parecia fazer sentido. Então, algo me pareceu familiar. Conhecia aquele rosto. Era o seu Romão, o velhinho que encontrei de frente a igreja. Inclusive, lembrei que tomei uma dose de aguardente que me ofereceu. Será que é por isso que estou com essa sensação de pôrre e ressaca ao mesmo tempo?

Então, seu Romão contou a Bernardo Belisário que era um descendente dos Romanov. Por isso acabou virando o seu Romão por essas bandas. Ele disse que era o filho de Anastácia, a princesa russa.

Os bolcheviques haviam assassinado a família do czar em seu exílio na Sibéria. Mas um daqueles homens percebeu que a princesa não havia morrido. Estava desfalecida devido a um tiro de raspão na cabeça e outro na mão esquerda.

Após a chacina ninguém percebeu que ele sumiu com um dos corpos. Na verdade, era a princesa que ainda viva foi levada para a sua casa. Cuidou dos seus ferimentos. Entretanto, quando ela demonstrou estar bem de saúde o homem passou a abusá-la. Ninguém ficou sabendo de nada. Ela engravidou. Um dia esse homem não voltou mais para casa e ela fugiu do cativeiro. Algumas pessoas a acolheram.

Como o meu tio, o que poderia ter sido mas que nunca virou czar, também sofria de hemofília. Tive uma vida de infortúnios. Afinal, era o filhor de uma mulher que se dizia Anastácia e que nem ao menos sabia o nome do pai do seu filho.

Talvez os Romanov fossem mesmo amaldiçoados. Só que não penso muito nisso. Tem horas que temos que seguir em frente. Se não viveremos eternamente amargurados com as dores que nos foram causadas no passado.

Sei que em minhas andanças por este vasto mundo aprendi alguma coisa sobre como me manter vivo. Fui sobrevivendo com os parcos recursos deixados por minha mãe. Recebeu algumas doações de pessoas que se comoveram com seu trágico destino. Enfim, como um peregrino pude encontrar vários tipos de pessoas. Alguns covardes, outros oportunistas e muitos idiotas.

Foi em uma noite de lua cheia em que estava quase morrendo , devido a fragilidade da minha saúde, que fui salvo por um lobisomem. Seria mais um para ir para mais uma vala. Mas aquela não seria a noite que seria transformado em cadáver. Minha vida transformaria após aquele encontro.

Ele disse que poderia por um fim em meus problemas. Ele estava ferido. Havia brigado com um vampiro maldito chamado Miguel Dragão.


Fiquei sensibilizado com a fragilidade demostrada por aquela fera bestial. Mas ele disse que poderia ajudar. Fiquei curioso ao mesmo tempo que fascinado. Como é que eu, à beira da morte, poderia lhe prestar auxílio?

Ele deveria estar delirando. Um tanto ofegante disse que poderia me curar da hemofília se me transformasse em um lobisomem. Não pensei duas vezes e aceitei sem ouvir a sua condição. Eram duas. Uma era que me transformaria em toda noite de lua cheia. A outra é que deveria usar de todas as minhas forças para salvar sua espécie. Explicou que um lobisomem ainda estava ligado a vida enquanto que o vampiro já havia rompido os limites da morte.

Ainda ofegante sussurou que deveria encontrar Nicolas Flamel, o alquimista. Fiquei confuso. Não sei se era por causa da  dor que sentia ou se pelo sofrimento do meu próximo. Será que isso não seria um delírio?

Mais uma vez me questionei. A alquimia não seria uma lenda? Foi então que como seu último sopro de vida senti a mordida. Antes de morrer havia me transformado em um lobisomem.

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