Resenha Livro – “O Livro das Mentiras”, de Brad Meltzer.

“O Livro das Mentiras”,  de Brad Meltzer.

 

Este romance relata a tragédia pessoal de Cal em ritmo de aventura comdireito à tiras corruptos e ingredientes de uma conspiração de vários séculos. Ou seja, algo familiar, tipo já vi isto em algum lugar. Mas vamos falar sobre isso também.

Após a leitura podemos tentar fazer uma resenha. A mãe de Cal, o protagonista, sofria de transtorno bipolar, ou algo similar, estando sujeita à constantes mudanças de humor. Eram de classe média, moravam no subúrbio de uma típica cidade dos Estados Unidos, e seu pai, um homem grandalhão era pintor.

Volta e meia o casal estava metido em discussões que são comuns à este tipo de relacionamento. Só que em uma delas, quando o menino tinha 9 anos, por aí, algo não saiu como o previsível. As agressões não ficaram apenas no plano verbal.

 

O pai de Cal acabou empurrando sua mãe, pequena e frágil, e por acidente teve como resultado o óbito. O menino perde a mãe e o pai vai parar atrás das grades. Esta é a tragédia de sua infância roubada.

Brad Meltzer

Então, dezenove anos depois , em Fort Lauderdale, na Flórida , história segue com Calvin já adulto e envolvido em outros dramas pessoais.  Depois de cumprir a pena o pai de Cal, talvez por remorso ou vergonha, nunca mais procurou o filho. Este cresceu e passou a fazer uma espécie de trabalho voluntário como se fosse um anjo da guarda dos “homeless”, também chamados de indigentes e mendigos, que perambulam pelas ruas das grandes cidades.

 

Até que um dia encontra em sua ronda um homem baleado. Seu nome era Lloyd e tratava-se de seu sumido pai.

Este, em rápidas linhas, é o drama inicial. Mas por trás desta triste história esconde-se  uma busca por um objeto valioso que tem implicações com o primeiro assassinato citado na Bíblia. Caim matou Abel. Isso ficou claro. Mas qual teria sido a arma do crime? Ninguém  sabe, assim como ninguém ficou sabendo sobre a arma que matou o pai de Jerry Siegel.

 

Jerry Siegel

 

Aliás, Jerry ficou traumatizado e acabou criando um homem à prova de bala. Essa é a poesia do verdadeiro artista. Super Homem, criado por um adolescente,  se transformou em um ícone da cultura norte americana.

 

 

O ícone cultural criado por Jerry Siegel e Joe Shuster

Brad Maltzer, o autor, está envolvido até os dentes com o universo das histórias em quadrinhos, ele é responsável pela grafic novel “Crise de Identidade”,  e neste seu romance presta uma homenagem aos criadores do Super Homem que venderam seus direitos autorais por pouco mais de cem dólares.

 

 

A marca já rendeu mais de um bilhão de dólares. Certa vez, a DC COMICS, dona dos direitos, ofereceu a chance de Jerry Siegel escrever sobre seu personagem. Então, ele volta no tempo, e revê seus pais no planeta Kripton.  Mas sabe que se ficar ele nunca mais seria o Super Homem.

 

 

A personagem de Lois Lane foi inspirada na sua então namorada e mais tarde  esposa. A verdadeira história, humana, que havia por trás do Super Homem, um personagem de ficção científica, no melhor estilo a vida imita a arte, era a do órfão Clark Kent.

 

 

Clark Kent interpretado por Cristhopher Reeves

 

Assim, Brad Maltzer, daz um paralelo com a ficção que nos apresenta. Calvin, cujo apelido é Cal, também se sentia órfão. E isto o ligava até Jerry Siegel, o verdadeiro ClarK Kent. Aliás , tanto Clark quanto Kent eram nomes de parentes que o adolescente, dos anos 1930, mais gostava em sua família. Um de um avô e, outro, de um tio casado com sua tia, algo neste sentido.

O menino Jerry Siegel, o livro vai mostrando, criou um personagem que era um homem à prova der bala. Em outras duas tentativas , o super homem era do mal.  As coisas mudaram, a vida tinha lhe dado um tranco. Então, o adolescente, o artista, em sua defesa cria um homem que não pode ser baleado e morto. Ele quer salvar seu pai.

 

Esse é o sentimento que Brad Meltzer, o escritor, quer fazer entender. Então, misturando ficção com fatos reais, um recurso bastante utilizado nos dias atuais, ele romanceia dados reais como o fato de o pai de Jerry ter servido no exército russo.  Ou seja, um autêntico personagem histórico da Guerra Fria. Isso foi antes da Segunda Guerra.

 

 

Então , entra na trama a Sociedade Thule, um grupo místico de ocultistas formados pelos aristocratas alemães. Aliás, o origem do nazismo. Adolph Hitler entrou na Sociedade Thule nos anos 1920.

Brad Meltzer sugere que estas situações, aparentemente, distintas possuem um forte grau de atração.  Algo como a arma que matou o pai de Jerry Siegel, o pai do Super Homem, foi a mesma que matou o pai dele.

Entendeu?

 

 

Robert Langdon interpretado por Tom Hanks

Nesta altura, você não quer mais parar de ler. Isso porque um pouco antes, o senso crítico denuncia um exagerado paralelo com o “Código de D Vinci”, de Dan Brow. Uma narrativa que logo estará nas telas de cinema e passam um clima de “acho que vou ver isso na sessão da tarde no ano que vem”.

 

Sabe? Aí, vem a dúvida: por que estou lendo este livro? Mesmo assim continuei lendo e me deixei mais uma vez me levar pelas mentiras de Brad Meltzer.

 

 

Ainda sobre a comparação. No código havia o OPUS DEI, no livro a Sociedade Thule. Tinha um personagem que fazia a função do Silas na busca do Santo Graal, que era a temática do livro do Bown. Inclusive vi o Tom Hanks ontem na TV. Ele é o professor Robert Langdon, o personagem principal.

 

Mas, coincidências à parte, lá pela página 200, o romance ganha brilho próprio. A “usada” do recurso fica parecendo bem inteligente. E você não quer mais parar de ler. Ainda mais que são capítulos curtos. Pinta uma compulsão. Quero ler mais capítulos. Ainda bem que são muitos.

Então, rola aquele clima com o livro.

Um típico caso de amor, respeito e devoção. Essa é a mágica da leitura. E isso acontece lendo este livro. O escritor, nessa hora, como o pescador, sabe que o leitor e o peixe, foram fisgados. Gostei.

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1 comentário

  1. Republicou isso em Tecnocibernetico's Blog.

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