Ficção – “Nyx – A Magia da Noite” Parte III – “A Queda dos Anjos” (Capítulo XXII – “O Inferno de Dante – A Batalha Sobrenatural”)

Blanche ainda conversava com um entristecido Udolfo. Ele não largava
de sua guitarra e seus dedos escorriam pelo braço do instrumento que
chorava junto consigo. Ele se entregava à um solo como um Paganini
possuído. O som distorcido e macabro se confundia com sua dor.

Assim, a conversa era entrecortada por estas intervenções sonoras e
melódicas que serviam de pano de fundo para ambas as tragédias destes
obscuros personagens naquela noite de lua cheia.

Mas apesar da casa
cheia, poucos ou quase ninguém parecia se importunar com aquele
diálogo que provocou fortes emoções entre os dois. Foi quando Blanche
sentiu o chão tremer.

A imagem perdeu o foco. Foi vítima de um súbito mal estar. Algo
inexplicável. No balcão alguém comentou que sentiu uma vibração pesada
e pediu que chamassem um táxi. Então, os poetas e as musa se foram.

Blanche passou a ter alucinações. Tudo derretia diante seus olhos. A
imagem que tinha das coisas ao seu redor pareciam mais uma paisagem de
um quadro surrealista de Salvador Dalí.

Aquilo era um imenso
transtorno. O senso de realidade ou aquilo que lhe garantia uma a
perspectiva que gravitava uma esfera de normalidade se desfez.

O chão se abriu e ela se desconectou daquele mundo que até então
servia de alicerce para que tudo fizesse sentido. No meio daquela
confusão em meio àquele processo de transformação que transcedia o
lugar comum pode perceber que um novo cenário surgiu. Era um campo de
batalha. Tochas acesas.

Um círculo e dentro dele pode notar que estava Frederico Flamel, o filho que
ela nunca pode embalar em seus braços. Aquilo causava uma certa
angústia que corroia sua alma. De repente, em um piscar de olhos, ela
volta a estar no Limbo. Como se nada tivesse acontecido.

Blanche é atacada por vertigens. Sua cabeça gira. Ela não sente mais o
seu corpo. Perde a noção do que está acontecendo. Tem a sensação que
sua cabeça gira em volta de seu corpo.

Como se não fosse parte de um
ser. Algo estranho estava acontecendo. Tontura foi o que sentiu quando
como em um passe de mágica se transformou em fumaça.

Logo, ela se encontrou caída pelos cantos da casa noturna. Começou a
vomitar. Era sangue que saía de sua boca. Depois parece que foram suas
tripas que foram expelidas juntamente com órgãos que estavam dentro do
seu corpo.

O nome escolhido pelo suposto investigador foi Dante Virgílio. Uma
clara alusão ao autor de A Divina Comédia. Dante visitou o inferno em
companhia do poeta Virgílio. O homem não aparentava medo. Parecia se
sentir seguro tendo em seu poder uma cruz de São Bartolomeu que
afastava o mal. Este homem havia descido do céu sob orientação do
arcanjo. Era um santo e seu nome era São Cipriano.

Apresentar-se como Beatriz  foi uma forma lúdica que Devandra
encontrou para se comunicar com o santo que veio do céu e que , por
sua vez, se disfarçou na pele de Dante Virgílio.

Apesar de suas vestes
de mortal, escondia se por trás desta indumentária uma armadura
espiritual que lhe garantia sua segurança diante do mal. Além disso,
estava protegido pela cruz de São Bartolomeu e encorajado pela fé,
representada por sua reza brava, para assim enfrentar sem medo as
forças sinistras das trevas, da desarmonia e do caos.

Os olhos de Blanche estavam fechados naquela escuridão que seu íntimo
experimentava. Ao abrir os olhos percebe que Ferdinando está de novo
em seu campo de visão. Ela tenta sorrir, mas não consegue. Não
consegue expressar nenhuma emoção.

Uma brisa suave refrescante revigora seu semblante. Esta é a impressão
que tem. Então, percebe a movimentação das lâmias. Ela antevê uma cena
em que Lascívia e Vênus trucidam Melquíades, o serial killer que
buscava diversão e alívio no Limbo. Elas estão ensangüentadas. Apesar
disso, o apelo erótico é inevitável.

Blanche não tem como gritar e
avisar Ferdinando sobre o perigo que parece querer envolvê-lo em um
abraço fatal. Blanche fica transtornada com isso e pelo fato de não
conseguir fazer nada que impeça o ataque das famigeradas lâmias.

Enfurecida pela raiva por não ter como agir naquela situação, ainda
consegue buscar dentro de si uma fora de combater o mal. Ela consegue
canalizar toda sua angústia, fúria e dor em um sentimento só e se
transforma em um vendaval e assim sopra as malditas lâmias para as
profundezas do tártaro.

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