Resenha Livro – “NEUROMANCER”- Clássico da Literatura Cyberpunk.

Resenha do Livro “Neuromancer” de Willian Gibson.

 

Neuromancer” é a obra que inaugura o movimento, literário, denominado Cyberpunk (https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/03/31/cyberpunk-o-subgenero-literario-da-ficcao-cientifica-sci-fi/) . Vencedor dos prêmios mais importantes da Ficção Científica , como o “Nebula”, o “Hugo”, e o “Philip K.Dick”. Desde sua publicação, em 1984, já vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. Podemos afirmar que é o livro que introduz a temática de inteligências artificiais avançadas e influenciou toda uma geração. Onde podemos citar “Ghost In the Shell” e “Matrix”.


O livro foi publicado pela primeira vez em 1984 e naquela época, início dos anos 80, em plena Guerra Fria e a ameaça de um confronto nuclear, com toda a efervescência de um período histórico visceral, quando a cultura da microinformática começava a se popularizar, o autor, Willian Gibson, fazia um exercício de futurologia. Uma vez que ainda não existia a tecnologia que é apresentada na ficção. Também é interessante perceber, talvez por obra do acaso, que “Neuromancer” foi publicado no ano de outra obra marcante da ficção científica, no caso o livro escrito por George Orwell, “1984”, que fala de um futuro distópico controlado pelo Grande Irmão.

 

No prefácio, o autor nos revela que “na minha adolescência, nos anos 1960, lia muita ficção científica que datava da década de 1940, um período muito fértil para o gênero”. Este período corresponde à Idade de Ouro da Ficção Científica, dos quais podemos citar escritores como Isaac Azimov, Arthur C. Clarke e A.E. Van Vogt.

Outro detalhe, histórico, é que “Neuromancer” foi publicado na época do filme “Blade Runner”, de 1982, um marco na história do cinema, fortemente influenciado pelo expressionismo alemão de Fritz Lang com seu “Metropolis”, que no no Brasil ganhou o subtítulo “O Caçador de Andróides”, dirigido por Ridley Scott e inspirado na obra de Philip K. Dick (https://tecnocibernetico.wordpress.com/2010/08/03/cibercultura-7/).

 


Aliás , o argumento da película, escrito por Hampton Fancher e David Peoples, foi feito a partir do romance “Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?” de 1968. Tudo indica que Willian Gibson, um leitor voraz de Ficção Científica, tenha sido influenciado pelo filme e é fácil fazer um link entre a Los Angeles futurista de 2019 , mostrada em “Blade Runner”, com a Chiba City, onde se inicia a ação de “Neuromancer”. No entanto, reza a lenda que Gibson abandonou a projeção antes da metade por perceber uma interrelação entre as obras.

 

Também podemos identificar em “Matrix”, dos irmãos Wachowski,
(https://tecnocibernetico.wordpress.com/2010/07/20/cibercultura-1-o-reinicio-da-serie-sobre-cultura-no-mundo-digital/) que o livro de estréia de Willian Gibson serviu como uma de suas inúmeras fontes. Alguns chegam a se referir à plágio. Por exemplo, Neo, codinome hacker do programador Thomas Anderson, o personagem interpretado por Keanu Reeves é, sem sombra de dúvida, uma referência à Case, o protagonista de “Neuromancer”.


A ação se passa no futuro onde temos a matrix, fonte de inspiração para os irmãos Wachovski lapidarem sua trilogia iniciada nos anos 90, que era uma espécie de alucinação coletiva digital. Case é uma espécie de hacker do futuro, especializado em penetrar em sistemas corporativos para espalhar vírus e obter informações sigilosas, por isso talvez fosse mais fácil definí-lo como um cracker, o hacker do mal. Mas no livro tipos como ele são chamado de cowboy. Um belo dia, Case, o protagonista, resolve roubar seus contratantes e como castigo tem seu cérebro danificado. Assim, não tem mais como interagir no ciberespaço. Aliás, foi em “Neuromancer”que esta expressão, ciberespaço, aparece pela primeira vez.

 

O triunvirato de Matrix, Neo, Trinity Morpheus, também vem de “Neuromancer”, no caso além de Case, temos Molly e Armitage. No entanto, na pedra fundamental do subgênero literário cyberpunk não há a eterna luta entre o bem e o mal simbolizada pelo confronto homem versus máquina. Mas um confronto que ocorre no submundo das megacorporações que , também, denunciando seus poderes de vidência, antecipavam a globalização.


Molly Millions ,uma misteriosa mulher de roupas de couro preto e olhos espelhados, na verdade lentes de prata em formato de olhos de inseto implantadas sobre a pele, também serviu de molde para Kusanagi Motoko, uma ciborgue feminina e assexuada, do clássico mangá e anime “Ghost in The Shell” e para Trinity, de Matrix, que , por sua vez, é uma soma destas duas personagens.


Enfim, segundo Cleber Pacheco, http://www.cleberpacheco.com.br/, “Neuromancer” é pura “prosa elétrica high-tech” com direito a dub, como trilha sonora das aventuras de Case, uma espécie de remix de música reggae com uma maior valorização para o baixo e a bateria, que mais tarde também cairia na graça da massa. Ainda existe referência ao ativista negro Marcus Garvey.  E à Jules Verne (https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/03/31/jules-verne-o-pai-da-ficcao-cientifica/) , um dos percussores da ficção científica, que vira nome de uma rua.

 

Portanto, ‘Neuromancer” é um clássico que merece ser lido ou relido. Esta edição foi publicado pela Editora Aleph ( http://www.editoraaleph.com.br/site/), com tradução do escritor e jornalista Fábio Fernandes, Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, e faz parte da trilogia Sprawl que ainda conta com “Count Zero” e “Mona Lisa Overdrive”, ambos publicados pela mesma editora.

 

 

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11 Comentários

  1. Takeru Nid

    Tudo se encaixa, adoro tudo isso.

  2. Antônio Silva

    “Neuromancer é um dos romances mais importantes da ficção científica” kkkkkkkk. O mais engraçado é que muitos sites atribuem muita importância a esse livro. Mas pra mim esse livro é uma das MAIORES PORCARIAS DA FICÇÃO CIENTÍFICA! Gosto muito de ficção científica devido a lendários escritores do gênero como Júlio Verne, H.g Wells e Isaac Asimov. Além do teor científico das histórias desses autores que eu acabei de citar , seus livros são bem explicados, eles sabem contar uma história!! Ler Júlio Verne (ou Wells ou Asimov) além de ficção científica você lê uma boa história. Por isso virei fã de ficção científica. Aí, procurando por uma ficção científica moderna que explorasse aquela temática de Matrix, me deparo na net com esse tal de Neuromancer. E todos os sites que falam sobre esse livro diz que ele é um marco na FC, é um dos mais importantes, e bláblabla. Fiquei muito empolgado, evidentemente. Comprei o livro e li. E durante a leitura ficava me perguntando “QUE PORCARIA DE LIXO É ESSE??” O livro é confuso demais. Usa termos que não significaram nada pra mim, a história é sem graça e MUITO, mas MUITO mal contada!!! Eu confesso que não sabia o que diabos estava acontecendo, qual era a trama da história. Se alguém me perguntar: “Qual a história de Neuromancer?” Eu vou responder: “Não sei”. Como pode um livro tão ruim ficar com tão grande prestígio??? Só pode ser o grande trabalho de Marketing na internet. A única coisa que essa porcaria de livro tem a ver com Matrix é a realidade virtual e só. Só que em Matrix há uma certa discussão filosófica sobre o que é a realidade. Não esperem filosofia alguma em Neuromancer, pois NÃO HÁ. É um livro que me decepcionou. Para os fãs de FC: fiquem longe de Neuromancer, um título que vem sujar o gênero da ficção científica. Em Neuromancer nada há das histórias interessantes, instrutivas e bem contadas da FC que tornaram o gênero conhecido

  3. juliano cesar de oliveria

    Oi adorei.. muito obrigado, me fez se interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e digite reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços.
    http://www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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