“Sociedade dos Ciborgues” de Carlos Pompeu (Tempo Passado. Em algum lugar do século XX)

III

(Tempo Passado. Em algum lugar do século XX.)

 

Os três adolescentes tinham desaparecido. A última notícia dizia que
haviam adentrado à reserva ecológica para praticar o montanhismo. Tudo
indicava que não houvera planejamento algum.

Era o puro sabor da aventura. Talvez fosse isso que tivesse passado pela cabeça de cada um deles. Será que os equipamentos e as cordas estavam em bom estado?
Será que chegaram a se preocupar com isso? Ninguém saberia falar sobre
isso. A meterologia teria sido consultada?

A chuva que caiu chegou sem mandar nenhum tipo de aviso. Os familiares
ficaram preocupados. Descobriram a localização. Mas o tempo estava
fechado. A equipe enviada não obteve êxito. Chuva atípica. O que, de
fato, não era um bom sinal. Os jovens, segundo comentários, deveriam
estar aflitos.

Ainda existia o perigo de deslizamento. Então, a equipe de resgate
solicitou ajuda. Foi então que chamaram por Max Melvedeck. A situação
era crítica. Além disso, o risco era enorme. Max não teve tempo de se
comunicar com Susana. Provavelmente quando ela ligou, Max, já deveria
estar à bordo do helicóptero com destino a reserva ecológica.

Como todo esporte radical a prática do montanhismo também tinha seus
riscos. A mudança climática poderia provocar algumas tragédias. Por
isso que Max Melvedeck acreditava que deveria existir uma política
pública sobre gerenciamento de riscos no tão propalado turismo de
aventura.

Ele foi levado até o ponto em que a equipe de salvamento teve que
recuar. A chuva caía. Logo, Max, sumiu em meio à mata e a água que
vinha do céu castigava a terra. Havia levado consigo uma espécie de
rádio para facilitar a comunicação. Pouco mais de quinze minutos
depois de ter se despedido do pessoal sua voz passou a ser ouvida.
Estava sereno. Comunicou que havia encontrado os jovens que em poucos
instantes estaria retornando. Tudo estava calmo. Até parecia uma
simulação ou um dia de treinamento sob condições adversas.

Mas o imprevisível ocorreu. Um estrondo. O que mais se temia
aconteceu. Deslizamento. Eles se encontravam à 80 metros de altura. O
caminho era íngreme e de difícil acesso portanto. Foram, literalmente,
atropelados pela fúria da natureza.

Demoraram quase dez horas para tirarem os corpos dos escombros. Um
galho de árvore havia atravessado abaixo da panturrilha de Max. Ele
ainda foi levado com vida, mas estava inconsciente.

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