Ficção – “A Fábula do Ogro” de Carlos Pompeu

“A Fábula do Ogro”

de Carlos Pompeu

A fábula é uma narrativa alegórica que, normalmente, tem como
personagens animais com características humanas. O significado de toda
fábula é possibilitar uma reflexão. Também conhecida como lição de
moral.

Isto ocorre no desenlace, que é o momento final ou a conclusão
da fábula.  A origem da fábula nos leva a Antiguidade do mundo grego e
a um determinado autor chamado Esopo.

Esopo

Por outro lado temos o Ogro, que
nos contos de fadas, uma espécie de fábula que envolve magia e
encantamento, é retratado como um gigante ou um monstro que vive
sozinho em uma floresta. Tem uma capacidade mental reduzida, o que
justifica seus atos de insanidade.

Entretanto, existe uma  outra
perspectiva de Ogro que pode ser exemplificada pelo personagem Shrek,
um ogro que vive sozinho em uma floresta, mas não possui uma
capacidade mental reduzida. Muito pelo contrário.

"Um passarinho me contou"

Assim, passaremos a relatar uma história que um passarinho me contou
que certa vez um burro, também conhecido como asno, estava triste. O
motivo da tristeza era pelo fato de ser considerado como um ser dotado
de pouca inteligência. Por isso, todo mundo o chamava de burro. Isto o
deixava muito triste. Um dia o burro saiu sozinho  e estava
melancólico. Ou seja, completamente sem entusiasmo.

Seguia sem rumo e
cabisbaixo.

Sócrates, o Filósofo Grego

Foi então que encontrou um Ogro. Só que este Ogro não era tipo o
gigante insano , mas sim um sábio. Segundo Sócrates, filósofo grego,
sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância. Então, o
sábio Ogro perguntou ao burro porque ele estava triste.

O Burro respondeu que estava cansado de ser chamado de burro. Por isso, estava
triste. O ogro pensou um pouco e disse ao burro que aquela tristeza
poderia ser útil. Mas qual seria esta utilidade pensou o triste
animal. Foi então que ouviu como resposta:

_ Você tem uma ferramenta valiosa para avaliar sua ação em relação à vida.

 

Assim, sugeriu que se mudasse sua percepção das coisas poderia deixar
de ser triste. O Burro , então, manifestou a vontade de ser tão
inteligente quanto a lebre.

_ Se eu fosse como a lebre seria feliz.

Entretanto, o ogro lhe disse que a lebre não era inteligente. Mas
cheia de esperteza. Assim, por meio da esperteza o Burro ainda seria
triste. Pois ser esperto não significa ser feliz.  E ser feliz para o
burro era não ser triste. Citou a fábula da Lebre e da Tartaruga, de
Esopo, no qual os dois animais apostavam uma corrida.

A lebre que era
esperta apostou que ganharia facilmente a corrida. Afinal, a tartaruga
era lenta. A lebre ligeira. Assim, a lebre disparou na frente.
Aproveitando sua vantagem resolveu descansar um pouco e deitou e
dormiu.

Enquanto isso, a Tartaruga continuou em seu ritmo e aproveitando a
soneca da lebre venceu a corrida. A moral da história era que mesmo
sendo devagar e sendo persistente você pode chegar em primeiro lugar.
Ou seja, você pode alcançar sua meta.

O burro pensou: o que isto tem a
ver com minha tristeza?

Ouviu como resposta o seguinte:

_Não adianta você querer ser o que não é.

 

A lebre era esperta e não inteligente. Porque a esperteza é a
capacidade de se adaptar a situações adversas por meio de malícia, uma
alergia a ética, e obter uma vantagem para si. Então, a esperteza é o
uso da astúcia. Uma habilidade de enganar. Enquanto a inteligência é a
capacidade de resolver problemas por meio da reorganização do
conhecimento que você tem por meio de sua capacidade de perceber as
coisas ao seu redor.

Então, o Burro percebeu que se tentasse ser como a lebre continuaria
burro e triste e que tentasse viver sendo ele mesmo e buscando
aprender coisas novas continuaria sendo burro mas não seria triste.
Portanto, concluiu o asno, se não estivesse triste poderia ser feliz.

Aí, o sábio Ogro disse ao Burro:

_Percebo que você está tendo uma atitude inteligente.
Um enorme sorriso surgiu na face do animal que agora estava feliz.
Após fazer este relato, o passarinho bateu suas asas e saiu voando
pela imensidão do céu azul.

Fiquei pensando na vida e concluí que
aquilo que o passarinho me contou sobre a Fábula do Ogro poderia ser
útil para mim para o resto da minha vida.

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