Crônica – “O Milagreiro” por Carlos Pompeu

“O Milagreiro”

por Carlos Pompeu

O cortejo vinha da rua direita em direção ao cemitério. Era o dia da tristeza em Pirenópolis. O folclórico Bolo de Três Cor saiu, cambaleando, da venda do seu Tinoco. Abordou o Padre Anselmo. Catalepsia.

_Padre, tem um espelhinho?  Bolo de Três Cor sabia que o Padre Anselmo era vaidoso.

Então, mostrou que o defunto ainda respirava e por isso ainda não estava morto. Desfeito a mal entendido. Tudo virou festa. Bolo virou milagreiro.

O dito cujo que não era mais defunto chamava-se Juca Bituca, um tipo conversador que gostava de tirar vantagem e que falava pelos cotovelos. A poeira baixou e em pouco tempo, Juca Bituca, se tornou desafeto do Bolo de Três Cor.Aliás, Bituca não engolia aquela história de milagreiro, então apontava e dizia: Esse traste aí? Milagreiro? Esse aí é um cachaceiro. Além de faltar com o respeito, Juca Bituca, sentia prazer em humilhar os outros.

Tempos depois passou outro cortejo em frente da venda. Seu Tinoco cutucou Bolo. Avisou que era o Juca Bituca. Bolo deu de ombros. “Deixa enterrar que não me enche mais o saco”. Em seguida, deu mais uma talagada em seco.

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1 comentário

  1. Gisela

    Carlos!!!
    Que surpresa boa! Cronista!!!! Adorei!
    Bolo de três cor….
    Só Pirenópolis pode nos dar!!!….
    Beijo grande!
    Gisela

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