Crítica ao Movimento Pós-Humano por Carlos Pompeu

A nova estrutura da civilização, que está sendo desenhada, com seu modo de produção econômico, após a desistência(na prática) da busca de uma sociedade socialista ideal(tida como utópica), voltado para o mercado e suas engrenagens empresariais e tecnológicas necessita que o ser humano se transforme em máquina?

 De um certo modo as pessoas, enquanto massa, vêm sendo educadas (ou seriam moldadas?), desde o final do século XIX, para atenderem uma necessidade. Ou seja, são formatadas e robotizadas para sustentarem as engrenagens do sistema vigente. Tanto é que a expressão que se utiliza após a conclusão de anos de estudo, em uma área específica do conhecimento, em uma instituição superior(faculdade ou universidade) é o termo “formado(a)”.

 

Assim, o pensamento crítico e a personalidade da pessoa  ao invés de incentivados são deletados. Não há espaço para a subjetividade. Mas este aparente coletivismo surge em nome de uma aniquilação do EU, da cidadania, em benefício de uma massa descerebrada, envolta com amenidades e sem consciência alguma; e que deve atender a ciranda tecnológica das megacorporações, antevistas pela ficção científica, que surgem com novos espelhinhos, como os portugueses quando chegaram ao Brasil dos silvícolas, mais tarde batizados de índios; sendo estes (os novos espelhinhos) uma infinidade de aparatos digitais, que servem para desarticular a sociedade como um organismo vivo e para que, este contigente de seres humanos, atendam as necessidades da época atual, forjadas por este novo cenário que já podemos vislumbrar com cores futuristas.

Nietzche

Seria esta a verdadeira intenção dos movimentos pós humanistas? Uma nova interface para interagirmos com o atual modo de produção? Mas de onde surge esta perspectiva? Se fizermos um levantamento constataremos que Nietzche é o ponto de partida do movimento pós-humanista https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/04/22/o-mundo-pos-humano-de-sociedade-dos-ciborgues-de-carlos-pompeu/

O filósofo falava sobre a necessidade de um aperfeiçoamento da espécie humana. No entanto, esta sua perspsctiva, mais voltada ao campo ético, foi interpretado de maneira equivocada pelos nazistas. Nietzche não comungava destes ideais, racistas, mas sua filosofia foi usurpada pela campanha publicitária,  que legitimava o nacional socialismo, de Goebbels e toda aquela conversa fiada de supremacia da raça.

Definitivamente não foi isso que sugeriu Nietzche. Mas esse ponto de vista foi utilizado no filme “Um Peixe Chamado Wanda”, aliás uma comédia irresistível, de 1988, dirigida por Charles Crichton, com John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline e Michael Palin por um dos vilões(Kline) que também fez esta leitura do super homem proposto pelo filósofo alemão. 

  Então, por volta dos anos 1960, aparece o pensamento cibernético. A partir dos anos 1980 são organizados os primeiros grupos simpáticos à ideia do pós humano. Nomes como o do filósofo Nick Bostrom https://tecnocibernetico.wordpress.com/2011/04/23/nick-bostrom-o-filosofo-de-oxford-que-defende-que-a-engenharia-genetica-pode-ampliar-os-limites-fisicos-e-mentais-do-ser-humano/ , de Oxford, e de Max More são alguns destes simpatizantes. Qual o seu objetivo? Transceder as limitações do corpo, enquanto humano, e romper o ciclo da vida como até então conhecemos. Afinal, o que se está sendo proposto é a fusão do cérebro orgânico com o mundo computacional. Ou seja, fazer da natureza humana um objeto de experimentação? Será que nos tornaremos cobaias em uma nova “Ilha do Dr. Moreau” ?

 Ou seria tudo apenas mais um delírio de grandeza, estilo Ícaro, diante das novas possibilidades tecnológicas?Uma coisa é certa, apesar da nossa especulação e atitude de franco atirador que não mede as consequências, os grupos e simpatizantes do pós humanismo, só comprovam que chegamos à um ponto sem retorno.

Fernando Pessoa

 Afinal, o dispositivo já foi acionado. A tecla Enter já foi pressionada. E que Deus, não se zangue com as criaturas brincando de demiurgo, e, ainda assim, nos abençoe. Cabe ressaltar, para concluirmos, que de acordo com o poeta Fernando Pessoa “os deuses vendem quando dão”. Enfim, tudo tem seu preço, não é mesmo?

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1 comentário

  1. Takeru Nid

    Essa leitura me deu um Brainstrorm dos bons
    adorei mesmo!!!

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