Crônica – “Marque X na questão correta” Escrito por Carlos Pompeu

                                    

Marque X na questão correta

por Carlos Pompeu

 

A sociedade High Tech necessita, mais do que nunca, de um novo direcionamento em suas relações. O mundo binário não funciona mais. Testes de múltipla escolha não identificam os mais capacitados, apenas concedem privilégios ao padrão que valoriza o robotismo, a maquinização do ser humano. A filosofia, o conhecimento, a busca pela sabedoria foram substituídos pelo entretenimento puro e simples. Tudo pode ser resumido em uma partida de video game.

 A oferta cultural, dentro desta ótica, é imensa. O significado é recarregado com uma nova simbologia. São os frutos da interação proporcionada pela rede. Mas apesar desta livre circulação de informações ainda existem centros difusores de conteúdo que ficam alheios à esta efervescência, que por sua vez, nada têm a ver com a qualidade, diga-se de passagem. Tudo é superficial. É o paraíso artificial do consumo.

 

 O tsunami do individualismo afogou os laços comunitários que se utilizam do consumismo como válvula de escape. Assim, novos valores são introduzidos. Aparentemente tudo é permitido. Não existe mais o proibido. É proibido pensar outra alternativa que não seja a questão correta. Afinal, o que é certo já está definido. Basta marcar o X. O importante é ter sucesso. A estrada já está pavimentada. A retribuição monetária, teoricamente, está garantida. Essa é a lógica. Frágil por sinal.

Desta forma, nasce a relação de consumo, a pedra fundamental da sociedade atual. Portanto, às vezes precisamos mudar alguma coisa para tudo continuar do mesmo jeito. Algo como uma espécie de seleção natural, às avessas, no melhor das hipóteses, uma evolução do modo de produção que se utiliza da roupagem tecnológica para ampliar seus tentáculos. A vaidade ainda continua sendo vista como um ponto fraco. Preparar, apontar, fogo. O glamour das maquininhas e equipamentos digitais são os novos espelhinhos

 

Apesar de ser uma velha história, que vem sendo contada há algum tempo, existem novos elementos high tech, que simulam um admirável mundo novo, totalmente fake, outrora pintado por Marinetti. Mas atualmente não é a chaminé da fábrica, apesar do automóvel e da metralhadora continuarem em alta, que detém o destaque do carro alegórico. O apelo visual do mestre sala e da porta bandeira não causam tanta comoção, não possuem mais o ‘sex apeal’,  como o apelo das novas mídias, que embutem tudo em sua dinâmica, apesar da suposta liberdade, ainda estamos,  indo além da visão do umbigo, conceitualmente vinculados aos eletrodomésticos, que domesticam, como a TV.  

Se a televisão fomentou o consumismo e extrapolou esta condição nos dias atuais; a internet, com sua roupagem libertária, no melhor estilo fashion, simplesmente consolida esta situação. Assim, dentro desta lógica high tech, tudo e até mesmo a cultura se transforma em produto que deve ser fabricado em escala industrial. É a morte anunciada do artesão. E não há o que se falar em excesso na linha de produção. Tudo deve ser consumido. Em suaves prestações ao longo de toda a existência.

 

Anteriormente, a mensagem era a de que fumar uma determinada marca de cigarro proporcionava o sucesso. Agora, no princípio do século XXI, a garantia do sucesso é respaldada pelo consumo. Ou seja, parafraseando Descartes, consuma e exista. Mas lembre-se, o importante mesmo, é consumir. O existir não é mais necessário. Trata-se apenas de um meio, uma condição, para se consumir e fazer a roda da fortuna girar.

 

Vamos brindar a desigualdade, afinal é este o resultado que conquistamos com esta filosofia meia boca, do entretenimento e da busca pelo sucesso a qualquer preço. Pagar mico não é problema. O  que interessa é ganhar o prêmio. Esse é, de forma capenga, o lema da sociedade consumista e seu legado às futuras gerações. Ou seja, marcar o X na resposta correta é errado. Pensar nas possibilidades e após, este levantamento, por meio de pesquisa e estudos, fazer uma análise da paisagem e só então, podando o excesso, chegaremos à uma conclusão mais próxima da realidade. Isso  parece ser uma atitude mais assertiva.

  

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: