Os Ciborgues Estão Chegando – por Carlos Pompeu

Os Ciborgues Estão Chegando.

Por Carlos Pompeu

 

 A frase do título acima faz referência a Jorge Benjor. No original a menção era aos alquimistas. Revelada a fonte, podemos apressar o passo para adentrarmos no ritmo veloz da dinâmica contemporânea. Onde tudo é high tech e nada é estar fora da web, é ficar desconectado. Pois bem, na verdade, os ciborgues, já chegaram. Eles estão entre nós. Talvez o “Homem de seis milhões de dólares”, do seriado de TV dos anos 70, inspirado na obra de Michel Caiden, tenha sido o protótipo.

 Mas como você definiria um ciborgue? Segundo Donna Hathaway, autora do manifesto ciborgue, trata-se de um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção. Então, de acordo com esse conceito, somos todos quimeras, híbridos teóricos e fabricados. Enfim, somos ciborgues. Já nos adaptamos a essa nova realidade. Inclusive, em nosso dia a dia, já utilizamos próteses.

 Sem dúvida, o uso da tecnologia transforma a condição humana. Ao longo dos tempos o homem sempre se utilizou de artifícios e ferramentas para moldar o mundo a sua volta. No entanto, atingimos um patamar até então não vislumbrado. Por exemplo, o pós humanista, Max More, acredita que a humanidade é uma etapa temporária no caminho da evolução e cabe a nós, enquanto humanos, acelerar esse processo.

 Esse pensamento, é recentemente novo, por isso, pode soar um tanto estranho. Pode até parecer história de ficção científica. Mas é , hoje em dia, um movimento sólido que tem sua atuação pautada por uma entidade, a WTA (World Transhumanist Association)que defende e propaga essa ideia. O movimento, em si, é futurista e utópico. Surgiu na década de 1980, em meio a toda efervescência dos yuppies, e tinham como ponto em comum a recusa dos dogmas.

 Naquela época e com este discurso  parecia uma atitude punk. Seguindo esse raciocínio, podemos afirmar que tinha um certo apelo romântico. No entanto, com aquela história descrita pelo Paulo Coelho,  do “cuidado com o que deseja que você pode conseguir”, prefiro adotar a cautela. Por uma questão de ética.

 

Em resumo, os pós humanistas desejam ampliar as faculdades físicas e mentais. Algo como ocorre no filme MATRIX. O programador de computador Thomas Anderson toma a pílula vermelha,ofertada por Morpheus, e como o hacker-messias Neo adquire sabedoria, conhecimento e prática de artes marciais, como o Kung Fú de Bruce Lee,  por meio de downloads. Cá entre nós, essa ideia é uma verdadeira tentação, não é mesmo? Imagina baixar, em questão de minutos,  todo tipo de informação que desejamos em nosso cérebro? Nesse dia, que talvez o futuro nos reserve, teríamos que encontrar outra função social para as escolas e instituições de ensino.

 Todavia, apesar do fim do mundo já ter data e, em alguns casos, até hora marcada, é bom deixar a vida em banho maria. Afinal, até que se prove o contrário, o destino é imprevisível. Inclusive, surfando neste ponto de vista, pode eventualmente surgir uma alternativa mais viável ou até mesmo mais ponderada.

Max More

 Pois, às vezes, o pós humanismo aparenta um radicalismo brutal. Apesar do discurso de Max More sobre uma perspectiva metafísica da evolução, direção, meta e significado da vida e da consciência. Enfim, não seria um passo maior que a perna querer superar a morte? Em pouco tempo, com a tecnologia, isso será possível. Mas, do ponto de vista ético, é correto? Não seria essa a ponte que separa o humano do pós humano. Enquanto isso, os ciborgues estão desembarcando.

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