CIBERCULTURA # 17 por Carlos Pompeu

CIBERCULTURA # 17

Você já deve ter ouvido falar em Avatar, não é mesmo? Provavelmente, logo, pensaria no cineasta James Cameron e seus alienígenas azulados em 3D. A geração mais nova sabe que Avatar também era, já foi e ainda é Ang, personagem de um cultuado anime japonês que sob a direção de M.Night Shyamalan, indiano de nascimento, filho de pais médicos, fã de Spielberg e criado, desde a infância, na Filadélfia; ganhou às telas de cinema.

Este, avatar, ao ser transposto para a película acabou virando o “O Último Mestre do Ar”. Talvez por causa de questões relativas à direitos autorais e de domínio de marca, talvez por isso, tiveram que abrir mão do nome.

Enfim, cabe ressaltar, que isto também está no contexto da cibercultura. Mas entre esses meios tecnologizados temos outro significado para o termo específico que representa um filme que todo mundo já viu, aliás campeão de bilheteria, e um outro desenho animado que não alcançou, digamos assim, tanta projeção. Isto não quer dizer que não seja cultuado.

No entanto, se a conversa se voltar para o departamento de informática você pode entender que Avatar é uma representação gráfica de um utilizador em um ambiente de realidade virtual. Levando-se em consideração que você já assistiu Avatar, supomos, evidentemente, que já saiba do que estamos falando quando nos referimos ao que seja um (avatar.)

Às vezes pode parecer algo um tanto complicado. Mas isto também depende do referencial. Enfim, buscando a simplicidade, para melhor ilustrar nossa tese, após aquele constrangimento inicial rotineiro, podemos arriscar dizer que a tendência seria entender a situação. Partindo do princípio que temos esta perspectiva.

Pois bem, então reafirmamos que o nosso mundo caminha , inexoravelmente, pelas vias digitais. Nem mencionamos mais a expressão trilhos. Portanto, neste contexto tecnocibernético, que aventuro dizer, se desenha no imaginário coletivo um novo mosaico de mitos. Assim, podemos concluir que a influência do convívio com as máquinas já nos é bastante perceptível. A realidade de amanhã é a ficção científica de hoje.

Apesar da rapidez da circulação da informação e o desapego das questões cultutrais, ligadas com o espírito, em prol de um pragmatismo sedentário em que, por exemplo, se prefere a segurança de relações virtuais , assim o fascínio exercido pelo videogame poderia ser também uma espécie de fuga de uma convivência , de uma sociabilidade que está meio fragmentada.

É o surgimento de uma sociedade informatizada que não necessita mais do olho no olho para se interagir e assim evoluir enquanto comunidade. Ou, que pelo menos , aparentemente, é assim. Mas isso também é uma nova forma de solidão que passa a impressão que isso, o “isolamento” é normal. Vende-se a ilusão de que todos podemos ser felizes, mesmo que sozinhos , desde que tenhamos uma conexão e assim a garantia, dos deuses da tecnologia, de que teremos uma relação virtual.

Por outro lado, isto seria como se estivéssemos voltando para a caverna, um mito de Platão pelas avessas, e desta forma apesar da ausência física, teríamos acesso ao mundo por meio de imagens e sons e poderíamos apreciar tudo isso no conforto de nosso lar

Enfim, se for assim, algo sugere que possamos viver com uma noção distorcida dos valores e talvez , devido à isso, teríamos uma fraca noção de comunidade. Pois agindo desta maneira, egoísta e hedonista, fazendo uso dos benefícios proporcionados pela tecnologia e por causa desta facilidade, fatalmente, estaríamos criando uma forma de não pensar e, então, entraríamos na contramão. Isto é , em sentido literal, como deletar a quinta essência do ser humano.

 

Alguma objeção? Enfim, dando vazão à esta simbólica divagação vamos buscar aprofundar mais neste assunto. Da onde, por exemplo, teria surgido o nome avatar? A origem está no sânscrito, língua bem mais antiga que o grego e o latim, e segundo o Hinduísmo um avatar representaria a vinda de uma divindade do paraíso até a terra e, sem dúvida, também diz respeito à respectiva aparência terrena deste ser celestial.

Partindo da livre especulação filosófica, observamos, que por esta ótica, Jesus Cristo, poderia ser considerado como sendo um Avatar. Pois bem , percebeu a profundidade que se escondia por trás de um mero entretenimento audiovisual?

Agora, após desvendarmos o véu do glamour da mídia, que também poderia ser retratada como a tirânica importância do efêmero, dos tempos atuais, ou os famigerados quinze minutos de fama profetizados por Andy Warhol nos anos 60, temos, mais uma vez, a oportunidade de escolhermos o caminho que , apesar da claridade do neon, nos leve de volta à luz da sabedoria

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