“O Irmão Alemão” de Chico Buarque – Resenha Livro- por Carlos Pompeu

O Irmão Alemão” de Chico Buarque
Resenha escrita por Carlos Pompeu
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O mais novo romance de Chico Buarque é sensacional. Diria incrível. Vale a pena ler. Não por levar a assinatura de Chico Buarque. Pois, além de ser um símbolo de uma butique criativa, e por si só, algo que, já valeria a leitura do livro. Confesso que sou fã de carteirinha do Chico. Como compositor que sou, ainda sem destaque, mas isso não importa, o que importa mesmo é que o carismático autor é um dos grandes, em termos de melodia, poesia, da música brasileira.
Não torço para o Fluminense, seu time de coração, mas isso não importa. Também não importa suas convicções políticas, da qual, em várias situações, concordo com seu posicionamento, tenho afinidade com este seu pensamento, mas isso também não importa.
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O que importa mesmo é que o “Irmão Alemão”, com certeza, arrisco dizer, é , sem dúvida, alguma, a sua obra prima literária. Ainda mais pelo fato de ser reticente quanto à sua literatura. Passou pelas minhas mãos , tanto o “Estorvo”, quanto “Benjamim”, mas não me despertaram o interesse quanto um livro do Milan Kundera, um dos autores que mais estimo, nem aquele frisson que me causa qualquer obra do Umberto Eco, também não havia me tocado o fundo da alma como Jorge Luís Borges, é verdade.
Mas isso, realmente não importa, o importante é que eu li o “Irmão Alemão” e fiquei abismado , surpreendido, e me vi seduzido pela sua leitura. Prosa agradável, fácil de ler, cativante, quando você se toca, já está na metade do livro e se envolvendo com aquela história fantástica. Parece ser autobiográfico, devido a riqueza de detalhes e a semelhança do nome dos personagens, pois, ambos, autor e personagem principal, o protagonista, se chamam Chico e dividem uma história comum.
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 Ao longo da leitura, sempre me questionava, não seria isso mesmo uma autobiografia, mas isso não importa, a premissa da história nos conta que o pai, de Chico, teria, por ocasião, de uma viagem à Alemanha, nos anos 1930, tido um affair com uma alemã, e dessa relação, nasceu o , tal, do irmão alemão do Chico. Isso é fato, Sérgio realmente existiu. Foi colocado para adoção, por sua mãe, e viveu na Alemanha oriental, trabalhando na TV estatal, interessante, que Sérgio Ernst, ao tomar conhecimento de sua origem mudou seu nome, passando a assinar Sérgio, como seu pai.
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Então, Sérgio, o irmão alemão, também foi compositor, mas nenhum registro ficou dessas canções. Só isso já é incrível. O autor usa essa história, da vida real, como pano de fundo para narrar as desventuras de Chico Hollander, o Ciccio, que se passa em uma São Paulo dos anos 50, atravessando o tempo e chegando aos dias atuais. O amor aos livros de seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda, está no livro e se revela como uma linda e bela homenagem ao grande intelectual que foi seu progenitor.
O livro também se passa durante os anos de chumbo e todas as agruras, angústia e agonia dos tempos da ditadura,no Brasil, mas tudo relatado com o requinte que só os grandes escritores conseguem passar para seus leitores. Na orelha do livro podemos ler: “Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e invenção”. É isso mesmo. Boa Leitura!
!!!
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