“O Vendedor de Funerária” – Primeiro Capitulo do E- Book – Boris de Pedra

O Vendedor de Funerária

de Boris de Pedra

Capítulo 1.

Capítulo 1.

                                                                                                                                                                       Capítulo 1.

Pedro Botelho é um nordestino que como tantos outros veio buscar a sobrevivência em São Paulo. Não é que, como tantas outras, essa história deu certo. O homem acertou na roda da fortuna. Virou um grande empresário. Ganhou muito dinheiro. Comprou um carrão e colocou um sorriso novo no rosto.

Um filantropo. Um homem de bem. Muito bem quisto pela comunidade. Um “self made man” feito no Brasil. Cabra arretado. Com seu esforço e suor fez sua fortuna. Ralou bastante para conquistar sua fatia de mercado, onde sem dúvida era o melhor. Para tratar de negócios da alma.

funeraria

Não que fosse uma pessoa espiritualizada, tinha sua religião, mas os negócios do qual tratava eram sobre os defuntos. Ele vendia caixões para defuntos serem nele, os caixões, enterrados. Um bom investimento para os negócios. Como Roberval Cristino gostava de dizer ao estar com seu cliente potencial:

_ Tenho aqui para você um negócio de outro mundo…

A pessoa, o cliente em potencial, em questão, seja lá qual fosse, origem , etnia, sexo, raça, time de futebol, enfim, no mínimo, arregalava os olhos para o inusitado do seu pronunciamento.

_ Negócio do outro mundo? …Como assim? Negócio do outro mundo? – a pessoa devia ficar com isso na cabeça.

_ Sim, meu caro – continuava o falante Pedro – um investimento para toda a eternidade!

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Mal sabia a pessoa que aquela era a cena de entrada que o cara de pau do Roberval utiliza como recurso para quebrar o gelo. Depois de relativizar a situação, já com a torcida ganha, aliás, sua especialidade. Então, com um sorriso no rosto, anunciava que trabalhava como vendedor de funerária.

Pedro Botelho, o Vendedor de Funerária

Pedro Botelho, o vendedor de funerária

O terno de Pedro Botelho o deixava com uma aparência de um cara importante, tão importante quanto achava que fosse. A peça, o terno, era bem cortado e lhe caia bem. Aparentava ser um cara esbelto. A gravata italiana se destacava e revelava todo o requinte de um homem de negócios sofisticado. O sorriso, que de tão alegre poderia ser interpretado como cinismo.

Então, como um apresentador de televisão, olha para o lado, como se estivesse sendo seguido por uma câmera, como se estivesse “ao vivo” , para milhões de telespectadores, e com toda aquela descontração e felicidade que o público gosta. Estala os dedos e em seguida sorri e diz:

_ Venha trabalhar conosco!

!!!!

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