“Candabul”

“Candabul” (Ficção de Boris de Pedra)

12285958_1654094771513950_1473861891_nOfélia, uma bela e formosa moça, a todos encantava com sua beleza, morava, com seus pais na Quinta de Don Álvaro, em uma residência rústica, onde cultivavam uvas. Naquele ano, apesar do plantio, não houve colheita. Assim, Don Àlvaro preocupado buscou ajuda na paróquia, fizeram novenas e orações, mas não obteve resultado. Então, veio a saber de Matacabel, uma espécie de mágico feitiçeiro que andava por aquelas bandas. Tinha fama de resolver problemas, o homem que fazia chover.

Assim, com seus feitiços, obtiveram uma boa colheita, ao mesmo tempo, despertou o medo entre os inocentes camponeses que ficaram com receio de sua fama de bruxo.

Então, Matacabel pode descansar, com moedas de ouro, mesa farta, vinho, festas e cantorias. Foi então que seus olhos observaram Ofélia, a bela e formosa jovem, que o encantou. No entanto, seus pais, não ficaram satisfeitos com o interesse do bruxo, já de meia idade, pela filha, ao qual sabendo dos seus dotes, na idade de se casar, apesar da origem humilde.

Diante da situação, a eminente recusa dos pais, já estando apaixonado pela jovem, não teve dúvidas sobre os seus sentimentos, passou por cima da vontade dos pais, até mesmo da própria Ofélia, que não se deixou iludir por seus encantos.Matacabel, envolvido pela ilusão do amor, raptou Ofélia.

Então, a levou para o cativeiro. Não lhe ocorreu que Ofélia não compartilhasse, com ele, dos mesmos sentimentos. Cego de paixão, não observou esse detalhe, no entanto,o cativeiro, era a casa de Langarrona, uma velha feitiçeira, que andava montada em um bode, por estar cego de paixão, pensou em buscar com a bruxa, alguma poção mágica, que deixasse Ofélia apaixonada. Algo que funcionasse como uma flecha de cúpido.

Candabul, filho de Langarrona, a bruxa que andava montada em um bode. Logo o mancebo se encantou com Ofélia. Dessa vez, a camponesa compartilhou  do mesmo sentimento. O filho de Langarrona se apaixonou pela bela camponesa, sendo correspondido. Mas havia um contratempo que impedia a história de amor. O inconveniente atendia pelo nome de Matacabel.

Enciumado, Candabul, resolveu dar cabo do seu rival. Preparou-lhe uma emboscada em um local escuro, sem testemunhas. Com a morte de Matacabel, estariam as portas abertas para viver um grande amor.  Apesar de Candabul ter executado sua ação de forma discreta, agindo sobre as sombras, assim mesmo, é acusado pelo assassinato de Matacabel, sendo preso, condenado à morte por enforcamento.

Longarrona, sua mãe, para libertá-lo faz um feitiço, deixando Candabul invisível, assim consegue fugir de sua sentença de morte. Em comum acordo decidem que Ofélia retornaria à sua casa, dando as boas novas para os pais, a liberdade do cativeiro de Matacabel, sendo salva por seu príncipe encantado, o jovem feitiçeiro, Candabul. No entanto, os pais de Ofélia, ficam felizes com o retorno da filha; no entanto, mais uma vez, não lhes agrada a ideia de ter um feitiçeiro como membro da família.

Os pais de Ofélia não deixam que volte para os braços de Candabul. Então buscam casá-la com outro pretendente, buscam um nobre fidalgo. Candabul se desespera. Usando de seus feitiços consegue matar o pretendente. E todos os outros que os pais de Ofélia conseguiam, passando a ser conhecida como a “sempre noiva”. O ódio, pela recusa dos pais, surgiu em seu coração, transformando- o em um homem mau, estendendo seus feitiçosque atingiram as plantações de Don Álvaro.

Candabul foi preso outra vez, com sua reclusão, os pais de Ofélia puderam organizar o casamento da filha com o tão sonhado nobre fidalgo. Um bom homem chamado Fabrício, casaram e foram viver em terras distantes. Candabul, não se deu por vencido, mesmo com sua execução marcada.

No entanto, sua mãe entra em cena outra vez, buscando libertar o filho, das garras da lei e da morte na forca, na noite anterior à execução, sombras negras  envolvidas em fogo, surgem na prisão, causando alvoroço, entre os guardas, apesar do susto, Candabul, continuou atrás das grades. Na manhã seguinte, foi levado para sua execução, de repente, o sol ensolarado da manhã, cede espaço para nuvens que fecharam o tempo. O céu ficou escuro. Raios , trovões e relâmpagos. O povo ficou assustado com as nuvens negras feitas de sombras.

Mesmo com a comoção geral com a mudança do clima, o carrasco deu seguimento a sentença, mas iniciou-se um temporal, que impossibilitou o uso da forca. Candabul, então, foi encapuzado e o mataram afogado em uma tina de água. Após a morte, deveria ser esquartejado. No entanto, para o susto de todos, o cadáver de Candabul, aos olhos do presentes, sob forte chuva, se transformou em um burro. Fugiu e foi parar nas terras de Fabrício, buscando por sua amada Ofélia.

Naquele mesmo dia, antes de escurecer, já de tardizinha, alguns populares acompanhados de autoridades locais, foram de encontro da bruxa, pois acreditavam que estava por trás  do mau tempo, que com sua feitiçaria virou um burro e foi pastar nas terras do nobre fidalgo, Fabrício, que veio a se casar com sua amada Ofélia.

Ao chegarem em seu antro, onde fazia seus feitiços diabólicos, flagraram a bruxa em pleno transe, em êxtase, sob efeito de suas poções mágicas, em contato direto com entidades sobrenaturais, fazendo um novo bruxedo, não teve a percepção  da chegada de seus algozes, que lhe invadiram a casa.

Então, como vingança, o espírito desencarnado de Matacabel, se alimentando do ódio do povo que ali estava, fez se presente, como se fosse uma sombra negra, aproximando-se de Langarrona que fora de si entoava um feitiço:

_ “Olanta In Pus Nigayo Negabus Ole Olaô Merminhô Nhô Nhôo”

Foram suas últimas palavras, antes que o antasma, o espírito desencarnado de Matacabel, a empurrasse para dentro do seu caldeirão que fervia matando a bruxa.

 

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