“A Hora da Tormenta” de Luis Maldonalle Resenha por Boris de Pedra (Carlos Pompeu)

Escrito por Carlos Pompeu ( Boris de Pedra)

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Brave Rock é uma pequena cidadezinha fictícia, em algum lugar, do sul dos Estados Unidos. Tudo gira em torno da rua 17, a principal via de acesso, de onde tudo flui. A comunidade, representada pela série de personagens, aparentemente, leva uma vida normal; até a chegada de “A Hora da Tormenta”.

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Este é o título do mais novo livro de Luis Maldonalle, autor de Sete Noites em Claro, um dos livros(em formato E-Book) , a nova tendência da Literatura, como um dos mais vendidos, no site da Amazon, no gênero Terror. Como carta de apresentação do autor, foi, sem sombra de dúvida, a melhor possível. Revelando-se, o escritor, seguro e pisando firme, de cabeça erguida no gênero Terror. Aliás, um estilo literário, por assim dizer, que tem suas características próprias, tendo como  principal objetivo causar medo nas pessoas. Os leitores, do gênero, são fiéis, mais do que a torcida do Corinthians e do Flamengo juntos, de goleada, tipo 7 a 1; isso vem ocorrendo ao longo dos séculos; sendo que tudo começou com Dante, com ” A Divina Comédia”, ainda na idade média.

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Assim, esses leitores, fãs apaixonados, se deliciam com esse tipo de leitura que lhe provocam fortes emoções. Dependendo da qualidade do escritor, porque na Literatura é como no futebol, tem sempre os cabeça de bagres, os pernas de pau, mas há sempre um fora do comum, também chamado de craque. E são esses escritores que criam uma relação espiritual, por meio da ficção, fazendo o leitor se transportar para um universo desconhecido inventado pelo autor. Portanto, ao longo de sua leitura, o leitor, se envolve, emocionalmente, chegando ao ponto de ser entorpecido pelo sentimento do medo.

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Pois é,meu caro,minha cara leitora, é isso mesmo o que acontece ao nos entregarmos a leitura da primeira linha escrita de “A Hora da Tormenta”, de Luis Maldonalle; pois logo somos, literalmente, engolidos pelo violento temporal que se aproxima da até, então, pacata Brave Rock.

Os tornados são comuns nos Estados Unidos, tanto é que o livro se inicia com um boletim do tempo e notícias de vários casos que atestam a afirmação feita no início desse parágrafo. Isso serve de inspiração, sendo o pano de fundo, para Luis Maldonalle tecer, com sua pena carregada de tênue terror e sanguinária verve, mais uma de suas mirabolantes, inteligentes e bem sacadas observações que faz de seus intrépidos personagens.

Nisso, notamos, acompanhando sua trajetória, iniciada com a coletânea de contos, Sete Noites Em Claro, uma grande evolução, digna dos grandes artistas, do escritor que nos brinda, mais uma vez, com sua poderosa e fértil imaginação; abrindo o leque e nos revelando uma nova nuance com mais de 20, neuróticos, personagens. Onde cada um alimenta sua própria loucura.

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Dessa forma, Maldonalle, nos oferece, não apenas mais do mesmo, como cantou Renato Russo, ou mais uma historinha de terror que não assusta criancinha alguma, mas não se trata disso, uma vez que tinhoso, danado e perfeccionista, como só ele, mesmo, fazendo um solo de guitarra; o escritor, que nasceu e cresceu sob o signo do Rock, destila seu venenoso e ardiloso argumento e o refina, com enchurradas de intrigas, com toda a perfumaria dos velhos boticários de outrora, que o diga Patrick Suskind, de “O Perfume”, um dos livros que mais me fascinaram. Assim, o autor, nos mostra um novo modo de nos contar uma história de terror.

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Maldonalle, consegue dar uma volta de 360 graus em sua breve trajetória na Litetratura. Neste novo universo, temos a tormenta como personagem principal, e que, por sua vez, nos serve como uma metáfora, uma parábola de algo que acontece com cada um dos membros da comunidade de Brave Rock.

Essa agitação nervosa também ocorre no interior de cada um deles, portanto, sendo assim, são levados, varridos, como soldadinhos de papel, por drásticas mudanças em suas vidas, da água para o vinho, ou vice versa, enfim; no grau mais profundo do mais íntimo que há em cada um dos personagens. O elemento psicológico é bastante profundo, mostrando o poder de fogo do escritor.

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Os conflitos se afloram, as pessoas se desentendem umas com as outras, enquanto a tormenta, apelidada, na vida real, de Sodoma F-5, que faz uma alusão a passagem bíblica sobre a cidade destruída por Deus, devido ao excesso de pecados. Portanto, qualquer semelhança com Brave Rock não seria mera coincidência. Cabe lembrar que, segundo Paulo Coelho, o acaso não existe. Então, a sigla F-5, é o código mais letal para eventos dessa natureza.

A confusão está lançada, fazendo uso indevido, como se fosse um trocadilho, da célebre frase proferida por César( “a sorte está lançada), o imperador romano, que foi assassinado, a facadas, no senado de Roma, sendo a primeira (facada) proferida por Brutus, seu filho adotivo.

Pois bem, voltando nosso foco na ” A Hora da Tormenta”, podemos observar isso no racismo as avessas, onde os negros, ligados a igreja, têm preconceitos dos brancos, também há o garoto de 14 anos , em conflito existencial, que pensa ser Deus, ou uma nova encarnação sua, como Jesus, o Cristo, ou como Shabetai Zevi, o judeu que se declarou o Messias, na idade média, e que quase destruiu o judaísmo com essa loucura, após anos de estudos sobre a Cabala.

Ou, novamente voltando o foco ao livro de Maldonalle, o namorado ciumento que mata a namorada por ela ter um caso , de tórrida paixão, onde aflorava todo seu instinto sexual, por um mexicano; que lhe despertou o ódio e a vontade assassina que ceifou a vida da pobre garota.

Esse mesmo namorado traído, humilhado e obcecado tenta buscar na tormenta uma forma de esconder o corpo da namorada nos escombros do que sobrou de Brave Rock, tentando assim se esquivar da culpa pela morte; e ocultando o cadáver, como se ele não tivesse executado a mesma, como se ela tivesse sido mais uma vítima da fúria da natureza.

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Respire fundo e embarque em um voo, sem escalas, com turbulências, nesse temporal de emoções, cheio de conflitos, intrigas, de várias cores e tons, e nada a ver com E.D.James, o best seller mais tosco e insosso após a saga Crepúsculo. Enfim, se o medo não tomar conta de sua alma, com os horrores de cada personagem, ainda sobrará muito terror e suspense. Então, o leitor, haverá de perceber, que o nefasto fenômeno da natureza serve de trampolim para catapultar, o criativo Luis Maldonalle para ser uma promessa, ou seria esta resenha uma profecia, creio que não, enfim, isso vai depender da aceitação do público, com certeza, mas nos revela o gênesis de um novo fenômeno do terror literário, no Brasil, como fora André Vianco, hoje escrevendo no Projac; e , quiça, seu mestre, Stephen King.

Stephen King

Stephen King

Leia o livro, antes que o mundo acabe, ou que desabe sobre sua cabeça, como os escombros da tormenta que soterrou boa parte dos moradores de Brave Rock; acredito que assim você entenderá melhor o que tentei expressar aqui, por meio de minhas impressões, após a leitura do mesmo; constatando ser esta obra uma fantástica e alucinante ficção, no gênero terror, por meio da escrita criativa de Luis Maldonalle.

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