“Sete Noites em Claro” – Resenha do Livro

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“Sete Noites em Claro“, foi uma grande surpresa, primeiro porque o autor, escreve muito bem, tem o poder de envolver o leitor. Os seus personagens nada tem de ortodoxos, possuem uma certa marginalidade, mas não provocam aversão ou sentimento similar, aparentemente são pessoas comuns que não deram certo na vida. Talvez por falta de sorte ou mesmo do acaso, isso já os humaniza bastante e como leitor ficamos do seu lado. Aos poucos, vamos adentrando o seu interior e conhecendo suas dúvidas, angústias e a busca constante de alívio para suplantar a dor da alma.
Maldonalle, o autor,tem influência de Stephen King, considerado um dos mais notórios contistas de terror em atividade nos dias atuais, tendo escrito “The Shining” (“O Iluminado”) que virou filme pelas mãos de Stanley Kubrick e com Jack Nicholson no papel principal. Aquela característica de ir envolvendo o leitor, apresentando o personagem, a princípio, como um cidadão comum, ganhando assim a empatia do leitor, e aos poucos desvendando o véu e revelando o seu lado escuro, mas em doses homeopáticas, aumentando o suspense no desenvolvimento da trama.
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Lendo seus contos, são sete, daí o link com o título, “Sete Noites em Claro”; passa aquele clima que nos lembra de “Twin Peaks“, clássica série de TV, do David Lynch. Aos poucos, a tensão vai tomando conta e a busca por uma resolução se torna uma ilusão da qual logo perceberemos ao observarmos a complexidade de seus personagens que dissimuladamente vão seduzindo suas vítimas, com uma certa tranquilidade de espírito, descartando o perigo e se tornando uma presa fácil para o predador.
Sem dúvida, Maldonalle, tem essa característica como escritor. O seu texto é envolvente e nos coloca em um mundo, aparentemente comum, que vai se transformando em um labirinto de horrores. Mesmo depois do ponto final, ainda ficamos  atônitos com o teor, o conteúdo e o gosto de sangue que fica na boca.
Outra observação que podemos fazer sobre o livro é sobre sua forma. Como nos é apresentado esta literatura de horror. Não é algo explícito, algo como um maluco com uma motoserra matando as pessoas. Tripas sendo retiradas de corpos ainda com vida. Ou a glamurização do ato de matar com requintes de crueldade.
Apesar de se utilizar desses ingredientes, o mundo de horror criado por Maldonalle faz mais a linha terror psicológico, isso acaba agradando o leitor mais inteligente, por sair do lugar comum, por sugerir  e surpreender pensamentos que gravitam na escala da emoção, provocando rupturas e nos revelando que não é bem assim, é mais cruel, mais insano do que a imaginação suspeita.
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Isso nos lembra outro filme inspirado em Stephen King, no caso, “Misery” (“Louca Obsessão”), onde uma fã de um escritor o salva após um acidente e o leva, cheia de mimos,para sua casa, mas logo passa a torturá-lo ao saber que havia matado sua personagem predileta em seu novo livro. É algo assustador. É isto que percebemos em ‘Sete Noites em Claro”. As narrativas nos pregam sustos, desarticulando as ideias que pensávamos sobre o seu conteúdo.
As histórias se passam em uma América, já descrita por outros autores do gênero, o que de uma certa forma nos familiariza com o ambiente. Mas a medida que vamos lendo nos esquecemos desse detalhe, tendo em vista ser, Maldonalle, um escritor brasileiro.
Todavia, o autor costura muito bem as tramas, muito bem boladas, e ao longo delas, mostrando-se um escritor de fôlego,somos induzidos, como leitor, a ter bons pensamentos sobre seus personagens, que se revelam seres atormentados e nos surpreendem com suas ações que nem sempre são descritas mas imaginadas pela nossa própria mente.
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